
Afinal, olhar para comida pouco saudável pode não nos deixar com desejos — mas saciar-nos parcialmente e ajudar a evitar as “batotas”.
Uma nova investigação, publicada na Computers in Human Behavior, aponta uma forma simples de ajudar a reduzir o desejo de a consumir comida pouco saudável.
A investigação sugere que simplesmente olhar para imagens ou vídeos de comida hipercalórica pode atenuar a vontade de os comer, sobretudo entre pessoas que estão a fazer dieta ou a tentar restringir a alimentação.
À partida, a ideia parece contrariar o senso comum. Para quem tenta evitar comida pouco saudável, ver fotografias de hambúrgueres, sobremesas ou snacks costuma ser entendido como um estímulo perigoso e até irritante. Mas, segundo o estudo, em determinadas circunstâncias, a estimulação visual pode já por si só produzir uma forma de satisfação.
Segundo a Vice, o fenómeno é explicado pelo conceito de “saciedade cruzada modal”, segundo o qual a visão de um alimento pode, por si só, reduzir parcialmente o apetite por esse mesmo produto. Ou seja, o cérebro obtém algum grau de recompensa apenas ao observar a comida, mesmo sem que ela seja efetivamente ingerida.
Os investigadores analisaram a reação de indivíduos expostos a vídeos de comida na Internet, distinguindo entre alimentos saudáveis e opções mais calóricas. Os resultados mostraram que as pessoas em dieta tendiam a clicar mais frequentemente em conteúdos com alimentos menos saudáveis e a passar mais tempo a vê-los.
Apesar de isso poder parecer um comportamento contraproducente, a equipa concluiu que a tentativa de reprimir pensamentos sobre comida apetecível pode, na verdade, reforçar esses desejos. Em contrapartida, quando essa vontade é canalizada através da observação de imagens ou vídeos, o impulso para consumir o alimento poderá diminuir.
Num ambiente controlado, os participantes instruídos a suprimir pensamentos sobre sobremesas e que acabaram por ver mais conteúdos relacionados com alimentos gordurosos consumiram menos chocolate quando lhes foi dada essa possibilidade. Além disso, relataram sentir menos fome, o que sugere que a exposição visual foi suficiente para reduzir a intensidade do desejo.
Os investigadores sublinham, no entanto, que o efeito não se verificou da mesma forma com alimentos saudáveis nem em todos os participantes. O impacto foi mais evidente entre pessoas que estavam ativamente a restringir a ingestão alimentar, sobretudo aquelas com maior tendência para afastar mentalmente pensamentos relacionados com comida.
Ainda assim, é importante reforçar que o estudo apresenta limitações importantes. A análise incidiu apenas no curto prazo, centrou-se sobretudo no consumo de chocolate e envolveu maioritariamente participantes jovens, em condições artificiais de laboratório.