Joana Pereira, irmã da atriz Rita Pereira que dá vida Maria de Fátima na novela «Terra Forte», tem vindo a afirmar-se como professora do 1.º ciclo e influenciadora digital. Recentemente, publicou um vídeo nas redes sociais onde deixa um forte alerta sobre a forma como são avaliadas as crianças com necessidades educativas especiais no sistema de ensino português.

No vídeo, a docente começa por explicar que procurou informação junto de outras professoras do 4.º ano sobre o funcionamento das provas adaptadas. Segundo refere, existem alunos abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 54, que prevê medidas específicas de apoio educativo.

Joana descreve essas medidas como fundamentais para a inclusão: “há crianças com necessidades educativas especiais, há crianças que estão inseridas no Decreto-Lei nº 54 e que, portanto, têm direito a fazer as provas fora da sala de aula, têm direito a leitura de prova, têm direito a simplificação das questões ou das respostas”.

A professora detalha ainda algumas das adaptações possíveis no contexto escolar: “em vez de ser uma resposta em que têm que escrever, podem ter respostas de escolha múltipla”, sublinhando que estas estratégias são aplicadas diariamente pelos docentes em sala de aula.

Contudo, o ponto central do seu alerta surge quando confronta a realidade das avaliações nacionais. Joana Pereira questiona a coerência do sistema: “E eu perguntei se realmente as provas adaptadas eram realmente adaptadas e mais simples… e descubro que não há provas adaptadas. Não há.”

A docente explica que, apesar do trabalho de diferenciação pedagógica feito pelos professores, essa adaptação não se reflete nas provas nacionais: “Nós fazemos fichas em sala de aula adaptadas. É a nossa função”, reforçando que a prática pedagógica procura responder às necessidades individuais dos alunos.

Joana vai mais longe ao descrever o esforço diário dos professores: “educar, para mim, já não faz sentido se não houver diferenciação pedagógica em que nós temos em conta cada criança que temos à frente”. E acrescenta: “nós temos o cuidado de ensinar os conteúdos de forma adaptada, de tudo o que nós fazemos, adaptamos”.

A professora sublinha que cada aluno exige uma abordagem distinta: “não estou a dar o mesmo conteúdo e a fazer as mesmas coisas com o grupo turma e com a criança com necessidades educativas especiais. Isto não é a mesma coisa, como é óbvio, adapto-me”.

No entanto, critica a discrepância entre a prática escolar e o modelo de avaliação nacional. Apesar de reconhecer algumas medidas de apoio, considera-as insuficientes: “o Ministério, quando é para avaliar todas as crianças do quarto ano em Portugal inteiro… permite que saiam da sala, que haja prova de leitura, mas não fazem uma prova adaptada”.

A docente mostra-se particularmente preocupada com a complexidade das provas: “um texto de interpretação para uma criança de quarto ano não é um texto simples, não é um texto de três linhas”.

Em tom de desabafo, Joana Pereira revela a sua inquietação com o sistema: “é sério, eu estou completamente em choque, como é que não há forma de levar isto e de conduzir isto de uma forma sensata”, questionando a ausência de uma verdadeira adaptação dos exames.

O vídeo termina com uma crítica direta à estrutura das provas nacionais, reforçando a sua posição: “não há provas adaptadas”, uma afirmação que resume o alerta deixado pela professora e que tem gerado debate sobre a inclusão e equidade no ensino em Portugal.

Recrode-se que em 2022, ganhou destaque mediático após sofrer um grave acidente com uma lareira de bioetanol, que resultou em queimaduras severas.