Uma foto tirada da parte inferior da espaçonave da Artemis II, após seu pouso na água, fez com que as preocupações de que o escudo térmico não resistiria sumissem.
Após o pouso na água, a Nasa realizou uma investigação preliminar, constatando que o escudo sofreu perda mínima de carbono, as placas de cerâmica não apresentaram rachaduras e a fita térmica refletora ainda estava presente.
Em comunicado, divulgado nesta segunda-feira, 20, funcionários da Nasa escreveram que as inspeções iniciais do sistema constataram que ele funcionou conforme o esperado, sem que nenhuma condição incomum fosse identificada.
“Imagens do escudo térmico da espaçonave, obtidas inicialmente por mergulhadores após o pouso na água, e inspeções posteriores no navio de recuperação revelaram que o comportamento de perda de material carbonizado observado na Artemis I foi significativamente reduzido, tanto em quantidade quanto em tamanho”, completaram.
O escudo da Artemis II foi projetado para proteger a tripulação da reentrada a 39.693 km/h, o que torna o ar circundante em um plasma com metade da temperatura do Sol.
Escudo da Artemis I
Charles Camarda, engenheira de pesquisa de escudos térmicos que voou no primeiro ônibus espacial após o desastre de Columbia, criticou fortemente a decisão de usar o mesmo escudo térmico usado na Artemis I, visto que ele rachou e carbonizou durante a reentrada na atmosfera.
Na Artemis I, missão não tripulada, a Nasa fez uma reentrada com ricochete, fazendo com que a Orion quicasse na alta atmosfera da Terra antes de reentrar na atmosfera. Essa manobra poderia aumentar o alcance do voo da Orion entre a reentrada e o pouso no oceano, tornando a viagem mais tranquila para os astronautas, de acordo com a Nasa.
Após uma inspeção no escudo térmico, os engenheiros da Nasa observaram que havia parafusos faltando e o material Avcoat do escudo havia carbonizado e rachado. Além disso, testes em solo replicaram as condições de reentrada e constataram que o retorno com ricochete permitiu que bolsas de gás se acumulassem no interior do escudo.
Com isso, a Nasa optou por um perfil mais elevado para a reentrada da Artemis II, sacrificando a precisão e o conforto dos astronautas durante a missão.
Segundo a Nasa, o foguete Space Launch System também teve um bom desempenho, a agência também acertou nos cálculos e o pouso teve uma precisão milimétrica. Em comunicado, os representantes da Nasa escreveram: “A Orion amerissou com precisão, a apenas 4,7 quilômetros do local de pouco previsto”.
Apesar das boas avaliações anunciadas para mostrar que as futuras missões estão dentro do cronograma, algumas dúvidas ainda persistem para missões futuras.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes