O presidente da Câmara Municipal de Nova Iorque disse não a uma das mulheres mais poderosas da moda. Zohran Mamdani foi convidado para o Met Gala, o evento de inauguração da nova exposição do Costume Institute no Metropolitan Museum of Art, mas rejeitou o convite de Anna Wintour, a anfitriã do exclusivo evento. Quando questionado sobre a recusa, Mamdani disse que tinha outras coisas com que se preocupar, mas suspeita-se que a ausência do autarca tenha a ver com Jeff Bezos, o magnata da Amazon, que é um dos anfitriões do serão.

“Prefiro focar-me em fazer com que a cidade mais cara dos Estados Unidos seja mais acessível para os seus cidadãos”, declarou em entrevista ao site Hell Gate, informando que também a mulher, Rama Duwaji, não vai comparecer ao evento de angariação de fundos, sempre organizado na primeira segunda-feira de Maio.

Mamdani encerrou assim a discussão sobre o motivo por que está a quebrar uma tradição de décadas – os presidentes da câmara marcam sempre presença na gala. A CBS escreve que o autarca socialista terá mesmo comentado com a sua equipa que o Met Gala é contrário aos seus interesses, fazendo saber que planeia aumentar os impostos aos mais ricos de Nova Iorque – ou seja, aqueles que são os convidados de Anna Wintour, directora artística da Condé Nast, dona da revista Vogue, que organiza desde 1995 a angariação de fundos do Costume Institute.




Anna Wintour no Met Gala em 2018
BRENDAN MCDERMID/Reuters

Todavia, Mamdani não parece ser o único a boicotar o evento de moda na sequência de Jezz Bezos e a mulher, Lauren Sánchez, serem anunciados como os principais patrocinadores, tornando-se automaticamente anfitriões honorários. “Boicote ao Met Gala”, “Met Gala, patrocinado por quem apoia o ICE” e “Met Gala patrocinado pela exploração laboral” são algumas das frases nos cartazes espalhados pela cidade, descreve o New York Times.

O Met Gala nunca foi imune à política e, por exemplo, em 2021, Alexandria Ocasio-Cortez, membro da Câmara dos Representantes, levou um vestido onde se podia ler ​“Tax The Rich” (“taxem os ricos”, em português), que deu que falar. Em 2018, a realizadora Lena Waithe levou uma capa da Carolina Herrera com as cores da bandeira do Orgulho Gay, precisamente no ano em que o tema da exposição era Corpos celestiais: a moda e a imaginação católica.




O vestido de Alexandria Ocasio-Cortez onde se lia “Tax the Rich”
EPA/JUSTIN LANE

E nem a própria Anna Wintour é habitualmente apolítica, sendo um dos rostos mais conhecidos de apoio ao Partido Democrata. Foi ela que colocou Michelle Obama na primeira capa de revista na Vogue ou que apoiou Hillary Clinton na angariação de fundos para o partido durante a Presidência de Joe Biden.

Por isso a sua aproximação ao casal Bezos provocou alguma estranheza, sobretudo depois de Lauren Sánchez ter sido fotografada para uma capa digital da Vogue no dia do casamento com o multimilionário norte-americano, no ano passado. A capa gerou um frenesim de comentários nas redes sociais, com alguns utilizadores a criticarem Wintour por dar palco a alguém com uma “estética” tão fora do padrão da revista de moda, mas também por tudo o que a apresentadora de televisão representava.

O suplemento de moda do El País cita mesmo rumores de que Bezos quer comprar a Condé Nast – proprietária não só da Vogue, mas também da revista masculina GQ, da Vanity Fair ou da Architectural Digest, entre outros títulos. O magnata da Amazon comprou o The Washington Post e, desde então, somaram-se despedimentos em massa, a perda de 200 mil assinantes e uma mudança editorial.