ZAP // MarkB/Depositphotos

Os funcionários públicos do Governo Metropolitano de Tóquio estão a ser incentivados a trocar o habitual look “fato e gravata” por roupa mais fresca, como calções. A guerra EUA-Irão tem mão nisso.

O objetivo da iniciativa é reduzir o consumo de eletricidade e enfrentar o calor intenso que se aproxima de forma mais sustentável, numa altura em que os custos energéticos disparam em todo o mundo — e o Japão não fica atrás — devido à guerra ntre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, que está há várias semanas a pressionar os preços do petróleo e a segurança do abastecimento em vários países.

A iniciativa inspira-se no programa japonês Cool Biz, lançado pelo Ministério do Ambiente em 2005, que promoveu o abandono de gravatas e casacos nos meses mais quentes para diminuir a dependência do ar condicionado. Mas nestes 20 anos, nota o The Guardian, a campanha nunca tinha ido tão longe ao ponto de encorajar os funcionários a mostrarem as pernas no local de trabalho.

A preocupação com uma eventual crise energética tem crescido em toda a Ásia. O Japão, pobre em recursos naturais, é particularmente vulnerável a perturbações prolongadas no Médio Oriente, uma vez que depende da região para cerca de 90% das suas importações de petróleo, grande parte das quais passa pelo estreito de Ormuz. A Coreia do Sul também está exposta: cerca de 20% do gás natural que consome segue pela mesma rota.

Vários países da região, como noticiou o ZAP, no mês passado, já começaram a tomar medidas — muitas delas altamente originais — para reduzir o consumo de energia.

O Japão recorreu já às suas reservas estratégicas de petróleo e, segundo órgãos de comunicação locais, prepara-se para libertar mais 20 dias de abastecimento a partir de 1 de maio. O país está também a procurar fornecedores que não dependam da passagem pelo estreito de Ormuz.

Segundo o jornal britânico, alguns funcionários foram já vistos a trabalhar de calções, T-shirts e blusas de manga curta. A governadora Yuriko Koike defendeu “vestuário fresco que privilegie o conforto”, incluindo polos, sapatilhas e, consoante as funções, calções.

O Japão registou no ano passado o verão mais quente desde o início dos registos, em 1898, e as temperaturas de 40°C ou mais já deixaram de ser raras.


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