Há datas que passam despercebidas, mas que marcam uma mudança profunda na história da humanidade. 31 de outubro de 2000 é uma delas. Nesse dia, pela primeira vez, deixamos de estar todos no mesmo lugar.

Imagem da ISS que já recebeu mais de 270 humanos

Sim, pode parecer estranho este início de texto, mas é a mais pura das verdades. A partir daquela data, com humanos a viver continuamente a bordo da Estação Espacial Internacional, a Terra deixou de ser o único palco da presença humana. E essa realidade mantém-se até hoje.

31 de outubro de 2000… foi um dia diferente para a humanidade

Pode soar a ficção científica, mas é um facto histórico pouco conhecido. Houve um dia em que todos os seres humanos estavam no planeta. E esse dia foi 31 de outubro de 2000. Desde então, nunca mais aconteceu.

Nesse dia, uma nave Soyuz descolou do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, levando a bordo três astronautas: William Shepherd, Sergei Krikalev e Yuri Gidzenko.

Os tripulantes da Expedição 1 comem laranjas frescas no módulo de serviço Zvezda. Na imagem, da esquerda para a direita, estão o cosmonauta russo Yuri Gidzenko, o astronauta da NASA William Shepherd e o cosmonauta russo Sergei Krikalev. Créditos: NASA

A missão tinha um objetivo claro: dar início à ocupação permanente da Estação Espacial Internacional.

Dois dias depois, a tripulação chegava a uma estrutura ainda incompleta, composta apenas por alguns módulos básicos.

Um ponto de não retorno

A partir desse momento, algo mudou para sempre. Pela primeira vez na história, a humanidade deixou de estar confinada ao planeta Terra. Desde então, há sempre pelo menos uma pessoa no espaço, a cerca de 400 quilómetros de altitude.

Ou seja, nunca mais houve um instante em que todos os humanos estiveram “em casa”.

A Estação Espacial Internacional já recebeu astronautas de cerca de 20 países desde o ano 2000. Já passaram pela ISS astronautas de países como: Estados Unidos, Rússia, Canadá, Japão, Alemanha, França, Itália, Espanha, Reino Unido, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia, Noruega, Suíça, Brasil, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, entre outros. Um detalhe interessante: a maioria dos países participa através da ESA, o que faz com que a diversidade europeia tenha um peso significativo a bordo da estação. No total, mais de 270 pessoas já visitaram a ISS, tornando-a no local mais internacional alguma vez habitado fora da Terra.

Um laboratório a orbitar o planeta

A Estação Espacial Internacional tornou-se um dos maiores símbolos de cooperação global. Envolve agências como a NASA, Roscosmos, ESA, JAXA e CSA.

A estação orbita a Terra a cerca de 28.000 km/h, completando uma volta ao planeta a cada 90 minutos, funcionando como um laboratório único em microgravidade.

Um quarto de século fora da Terra

Desde o ano 2000, passaram mais de duas décadas com presença humana contínua no espaço. Durante este período, milhares de experiências científicas foram realizadas, explorando desde o comportamento de fluidos até os efeitos da ausência de gravidade no corpo humano.

Este marco silencioso representa mais do que tecnologia. É uma mudança profunda na forma como a humanidade se posiciona no universo.

O que vem a seguir?

A Estação Espacial Internacional deverá ser desativada por volta de 2030, dando lugar a novas plataformas, muitas delas privadas.

O futuro aponta para uma presença ainda mais constante fora da Terra. E isso significa que aquele 31 de outubro de 2000 continuará a ser, provavelmente para sempre, o último dia em que toda a humanidade esteve reunida no mesmo planeta.