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Um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da USP apresenta novas evidências sobre a dinâmica da febre amarela no Brasil. Publicada em destaque na edição de abril da revista Nature Microbiology, a pesquisa indica que o vírus pode se propagar com intensidade maior do que se estimava, especialmente em áreas próximas a grandes centros urbanos.

A análise focou na infecção em primatas na região metropolitana de São Paulo, onde há convivência entre áreas urbanas e fragmentos de mata. Nesse contexto, os pesquisadores observaram que o número básico de reprodução (R₀), indicador que mede o potencial de transmissão, pode alcançar 8,2 — ou seja, uma única infecção pode gerar mais de oito novos casos em condições favoráveis.

Esse resultado supera estimativas anteriores e sugere que, mesmo fora de ambientes urbanos tradicionais, a doença pode se disseminar de forma significativa.

Outro ponto relevante identificado é que surtos podem surgir a partir de uma única linhagem do vírus, que se espalha rapidamente quando encontra condições favoráveis, como alta presença de mosquitos transmissores e hospedeiros vulneráveis.

A pesquisa também reforça o papel dos primatas não humanos no ciclo da doença, atuando tanto como amplificadores do vírus quanto como sinal de alerta precoce, já que a morte desses animais costuma anteceder os primeiros casos em humanos.

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Os resultados dialogam com desafios atuais, como a expansão urbana sobre áreas naturais e as mudanças climáticas, fatores que aumentam o contato entre humanos, mosquitos e animais silvestres, favorecendo o surgimento de doenças.

Embora o Brasil não registre transmissão urbana de febre amarela há décadas, o estudo aponta que o risco de retorno não pode ser descartado.