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Nee Doh
O brinquedo anti-stress NeeDoh é a mais recente adição à longa lista de obsessões consumistas da internet, com os jovens a fazer longas filas nas lojas e os revendedores a lucrar com a enorme procura.
Já é quase uma rotina. De vez em quando, um produto parece tomar a internet de assalto e voar das prateleiras — como os copos Stanley, as bolachas Crumbl, o chocolate do Dubai, o copo da Starbucks ou as Labubus — antes de rapidamente serem substituídos por uma nova tendência.
Desta feita, a nova adição à lista são os NeeDoh, uns brinquedos anti-stress lançados em 2017 pela Schylling, na mesma altura em que outros brinquedos semelhantes, como fidget spinners ou slime, também se tornaram populares.
Já há vários anos que os objetos são usados pela comunidade ASMR (Resposta Sensorial Autónoma do Meridiano), que cria vídeos para induzir a uma sensação de formigueiro relaxante, geralmente sentida no couro cabeludo e pescoço, provocada por estímulos auditivos ou visuais suaves, como sussurros ou sons da chuva. O objetivo é reduzir a ansiedade e ajudar a adormecer.
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Apesar de não serem uma novidade, a popularidade destes brinquedos coloridos e macios explodiu este ano após tornaram-se virais nas redes sociais, provocando escassez, aumento dos preços de revenda e uma onda de produtos contrafeitos.
A febre chegou a tal ponto que os compradores estão a tomar medidas inusitadas para garantir os brinquedos. Num exemplo referido pela Insider, um advogado do Arizona enviou NeeDoh a familiares noutro estado depois de se terem esgotado localmente. Histórias como esta tornaram-se cada vez mais comuns, com pais, familiares e até adolescentes mais velhos a ficar em filas durante horas para encontrar os itens difíceis de encontrar.
Tal como acontece em muitas outras tendências virais na internet, a obsessão com os NeeDoh não é imune de perigos. Já há relatos de crianças que sofreram queimaduras graves após imitarem vídeos que sugerem colocar o NeeDoh no microondas para o tornar mais maleável.
De acordo com o CEO da Schylling, Paul Weingard, a empresa foi surpreendida pela procura. “Literalmente, nas primeiras nove semanas do ano, vendemos todo o stock anual. Nenhuma empresa consegue planear para isto. Tem sido fantástico, uma procura enorme que supera em muito a nossa capacidade de reposição”, explica.
Embora os NeeDoh tenha crescido de forma constante desde o seu lançamento em 2017, a recente exposição viral, impulsionada principalmente por calendários de advento natalícios partilhados online, elevou as vendas a níveis sem precedentes, tornando-a o produto mais vendido da empresa até à data.
A empresa enfrenta desafios logísticos para lidar com este boom. Os contratempos na produção, incluindo paragens de fábricas na China durante o Ano Novo Lunar, restringiram ainda mais o fornecimento. A Schylling afirma estar a aumentar a capacidade de produção e espera estabilizar a disponibilidade até ao verão.
O aumento repentino desencadeou também um mercado de revenda em expansão. Artigos que normalmente são vendidos por apenas alguns dólares estão agora a ser comercializados online a preços significativamente mais elevados, com alguns pacotes temáticos a chegarem a custar cerca de 200 dólares. Ao mesmo tempo, as versões falsificadas estão a proliferar em plataformas como o TikTok e marketplaces online, capitalizando na popularidade do brinquedo.
Embora as crianças mais novas pareçam particularmente cativadas, os adolescentes mais velhos e os adultos também estão a aderir, pagando muitas vezes preços premium a revendedores para participar na tendência.
Miguel Montano, um pastor de jovens em San Antonio, afirma que já vi outros sucessos semelhantes antes. “Os meus alunos mais velhos do ensino secundário falam sobre eles, mas são os alunos do primeiro ano do ensino básico que estão obcecados. É apenas mais uma moda passageira — Labubu, Funko Pops, qualquer coisa que esteja na moda. Há uma atração quase irracional por isso”, refere Montano, que confessa que ele próprio alinhou na moda e comprou dois NeeDoh para si próprio com um preço muito acima do valor de mercado.
Ter um brinquedo de sucesso é ótimo, mas pode ser uma espada de dois gumes quando o hype começa a morrer. A Pop Mart, fabricante das bonecas Labubu, viu as suas ações cair 30% depois de publicar um relatório que mostrou que os peluches, que representavam a maior fatia das suas vendas, estavam a perder popularidade.
Mas, por enquanto, a febre dos NeeDoh não dá sinal de baixar. “É incomparável a qualquer outra coisa que já tenhamos feito em termos de popularidade e procura. É certamente um desafio nesse sentido”, remata Weingard.