Luisão fez uma partilha nas redes sociais a criticar fortemente a decisão da UEFA de castigar Prestianni por ofensas homofóbicas, no caso em que foi acusado de racismo por Vinicius Jr.

«De verdade: alguém acredita que uma reação daquele nível acontece por isso? Cada um que tire suas conclusões», escreveu Luisão, deixando no ar que não acredita que a reação de Vini Jr. tenha sido provocada por um insulto homofóbico, como Prestianni defendia e a UEFA aceitou.

«O que me incomoda profundamente é a forma como este caso se desenrolou. Uma fala que antes era negada passa a ser admitida, mas em outro contexto, e convenientemente enquadrada noutro tipo de ofensa… Isso, por si só, levanta questões. Não sobre o que pode ser provado, mas sobre o que estamos dispostos a aceitar.»

Mesmo argumentando que «racismo e homofobia são igualmente graves» e que «não existe versão mais leve de ofensa quando se trata de discriminação de outro ser humano», o antigo capitão do Benfica garante que «no fim das contas, o recado que fica é perigoso».

«Parece que, dependendo do caminho escolhido, existe sempre uma forma de amenizar as consequências, que deveriam ser duras e exemplares. E isso não pode ser normalizado. Aqueles que sofrem, não esquecem.»

Leia a mensagem na íntegra:

«A decisão da UEFA sobre o caso Prestianni pode até ter seguido um caminho seguro, mas deixa no ar uma sensação desconfortável de que, no futebol, ainda existe uma espécie de hierarquia do preconceito, como se alguns fossem tratados com mais rigor do que outros.

Parto do princípio de que racismo e homofobia são igualmente graves. Não existe versão mais leve de ofensa quando se trata de discriminação de outro ser humano, mas, na prática, a gente sabe que muitas vezes não é assim que funciona.

O que me incomoda profundamente é a forma como este caso se desenrolou. Uma fala que antes era negada passa a ser admitida, mas em outro contexto, e convenientemente se enquadrando em outro tipo de ofensa… Isso, por si só, levanta questões. Não sobre o que pode ser provado, mas sobre o que estamos dispostos a aceitar.

De verdade: alguém acredita que uma reação daquele nível acontece por isso? Cada um tire suas conclusões. Não estou aqui para apontar culpados sem provas. Mas também não dá para ignorar o que o futebol mostra, ano após ano. Quem vive o jogo sabe.

No fim das contas, o recado que fica é perigoso. Parece que, dependendo do caminho escolhido, existe sempre uma forma de amenizar as consequências, que deveriam ser duras e exemplares. E isso não pode ser normalizado.

Seguirei defendendo o mesmo de sempre: respeito, responsabilidade e tolerância ZERO com o preconceito. Sem meios termos com aquilo que fere a dignidade humana. Aqueles que sofrem, não esquecem.»