Avião COMAC C919Imagem: Ken Chen / CC BY-SA

A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) deu um passo visível na certificação do jato chinês Comac C919 com a realização de voos de teste em Xangai desde o início de 2026.

Pilotos de teste europeus realizaram uma série de voos de avaliação da aeronave, marcando uma fase importante na validação para a potencial certificação do modelo na Europa.

Contudo, a agência mantém um cronograma cauteloso, sem pressa para a aprovação final, estimando que o processo completo pode levar de três a seis anos.

Apesar do C919 já ter sido certificado na China em 2022 e estar em serviço comercial desde maio de 2023, a EASA não reconhece automaticamente a certificação chinesa.

O processo europeu inclui análise documental, testes em solo, avaliações de projeto e campanhas de voo para verificar o desempenho e a segurança do avião em operações normais e degradadas.

O diretor executivo da EASA, Florian Guillermet, afirmou que a certificação europeia para o C919 não ocorrerá em 2025, contrariando as expectativas iniciais da Comac.

O atraso também foi influenciado pela pandemia de Covid-19, que interrompeu a cooperação técnica após a submissão do pedido de validação em 2019.

Concorrente direto dos Airbus A320 e Boeing 737, o C919 é um jato de corredor único com capacidade para 170 a 190 passageiros. A produção conta com uma base industrial internacional, com cerca de 80% dos fornecedores americanos ou europeus, incluindo os motores Leap da Safran e GE Aerospace.

Já em operação na malha doméstica chinesa, o C919, operado pela China Eastern Airlines, transportou mais de quatro milhões de passageiros em 46 rotas desde seu ingresso no mercado. A certificação europeia ampliará o alcance desse competidor no mercado global de aviação comercial.