O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta segunda-feira (27), em publicação na Truth Social, que o apresentador e humorista Jimmy Kimmel deveria ser demitido imediatamente pela Disney e pela ABC. A declaração do mandatário veio logo após a sua esposa, Melania Trump, criticar o apresentador de talk show por um monólogo feito antes de um tiroteio ocorrido no jantar de correspondentes da Casa Branca, na noite de sábado.

“Jimmy Kimmel, que de forma alguma é engraçado, como comprovam suas péssimas audiências de televisão, fez uma declaração em seu programa que é realmente chocante. Ele exibiu um vídeo falso da primeira-dama, Melania, e de nosso filho, Barron, como se estivessem de fato sentados em seu estúdio, ouvindo-o falar — o que não estavam, e jamais estariam”, escreveu o presidente.

O humorista da ABC tem enfrentado uma forte reação negativa após ter zombado do jantar em seu programa de quinta-feira – ou seja, antes do tiroteio ocorrer. Na ocasião, Kimmel fez um discurso em uma paródia do evento, no qual disse: “Nossa primeira-dama, Melania, está aqui. Olhem para Melania, tão bonita. Senhora Trump, você tem um brilho como o de uma quase viuva”.

Trump enfatizou em sua postagem que “um lunático tentou entrar no salão do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas. Ele estava lá por um motivo muito evidente e sinistro”.

“Agradeço que tantas pessoas estejam indignadas com o desprezível chamado à violência de Kimmel, e normalmente eu não responderia a nada do que ele dissesse, mas isso vai muito além de qualquer limite aceitável”, prosseguiu Trump.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pede demissão do apresentador Jimmy Kimmel — Foto: Reprodução/Truth Social O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pede demissão do apresentador Jimmy Kimmel — Foto: Reprodução/Truth Social

Trump e a primeira-dama, Melania Trump, foram retirados às pressas do jantar no sábado após um tiroteio no saguão do hotel Washington Hilton. Um suspeito identificado como Cole Allen atravessou um ponto de controle e disparou contra agentes do Serviço Secreto, ferindo um deles, antes de ser contido e preso.

Em setembro, o chefe da Comissão Federal de Comunicações (FCC) pressionou emissoras a retirar Kimmel do ar. Em seguida, o programa de Kimmel chegou a ser retirado do ar por menos de uma semana por conta de comentários do apresentador sobre o ativista conservador Charlie Kirk, que foi assassinado a tiros enquanto discursava para uma grande multidão ao ar livre no campus da Universidade Utah Valley, em Orem, Utah.

Horas antes da suspensão, o presidente da FCC, Brendan Carr, alertou que emissoras locais que transmitissem Kimmel poderiam enfrentar multas ou perda de licenças e afirmou que “é hora de elas se posicionarem”. Suas declarações geraram reação negativa da indústria do entretenimento e de políticos de ambos os partidos, incluindo o senador republicano Ted Cruz, que comparou as ameaças às de um chefe do crime organizado.

Kimmel voltou ao ar defendendo a sátira política contra o “bullying” do governo Trump e afirmou que sua intenção nunca foi fazer pouco caso do assassinato de um jovem. “Não acho que haja nada de engraçado nisso”, declarou Kimmel aos telespectadores, com a voz embargada pela emoção, momentos depois de subir ao palco e ser aplaudido de pé.

A decisão da Disney, dona da ABC, de interromper a suspensão de Kimmel por causa de comentários inicialmente rotulados como “inoportunos” e “insensíveis” marcou um ato de desafio corporativo de alto nível diante da crescente repressão de Trump aos que ele considera inimigos na mídia por meio de litígios e ameaças regulatórias.

Em novembro, Trump criticou um correspondente da ABC News por questionar o príncipe herdeiro da Arábia Saudita sobre o assassinato, em 2018, de um colunista do Washington Post, e sugeriu que a comissão deveria agir para revogar as licenças de transmissão das emissoras da ABC pertencentes à Disney.

Jimmy Kimmel — Foto: Richard Shotwell/Invision/AP, File Jimmy Kimmel — Foto: Richard Shotwell/Invision/AP, File