O próximo primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, pediu às autoridades do país que impeçam a transferência de verbas de figuras ligadas ao Governo cessante de Viktor Orbán e que congelem esses fundos.

“Os oligarcas ligados a Orbán estão a transferir dezenas de milhões de forints para os Emirados, os Estados Unidos, e outros países distantes”, declarou Magyar durante o fim-de-semana. As autoridades húngaras, continuou, suspenderam várias dessas transferências, e Magyar pede que, além disso, “congelem de imediato estes valores roubados” e não permitam “a fuga” de pessoas suspeitas de beneficiar com a corrupção para países de onde a extradição para a Hungria não é possível.

“Apelo ainda a investidores responsáveis domésticos e internacionais para se absterem de adquirir activos ligados à máfia [ao sistema que dependia de Orbán]; de outro modo poderão acabar a enfrentar o Gabinete Nacional para Recuperação e Protecção”, disse Magyar nas plataformas de redes sociais.

Magyar disse ainda ter sido informado “de que várias famílias de oligarcas já deixaram o país”, tendo outras “retirado os seus filhos da escola, preparando pessoal de segurança para a sua partida”.

No site Vsquare, o jornalista Szabolcs Panyi escreveu que figuras-chave do regime, “aquelas com mais a perder, incluindo a sua liberdade pessoal, não estão à espera para ver o que o próximo Governo pretende fazer”, tentaram muito rapidamente tratar de se proteger e à sua riqueza.

Citando várias fontes ligadas ao governo, muitas destas figuras começaram “a mover a sua riqueza para fora da Hungria antes que o Governo de Magyar possa congelar, confiscar ou nacionalizar” os seus bens – algumas personalidades começaram mesmo a transferir activos para o Dubai antes das eleições segundo o site 444, mas a vaga de pânico terá tido lugar depois da noite eleitoral de 12 de Abril.

O diário The Guardian citou relatos de aviões privados a descolarem do aeroporto de Viena para países do Golfo, por exemplo.

Destino: think tanks MAGA

O próprio Viktor Orbán anunciou, pelo seu lado, que não iria ocupar o seu lugar no Parlamento depois da grande derrota do seu partido. “Não sou necessário agora no Parlamento, mas na reorganização do movimento patriótico”, declarou, no sábado à noite, numa mensagem na sua conta no Facebook, o seu modo preferido de comunicar.

Orbán tinha sido reeleito apesar de o seu partido Fidesz ter caído de 135 lugares para 52, com a oposição a ganhar uma vitória esmagadora e, com 141 deputados, ter uma maioria de dois terços necessária para fazer alterações constitucionais. O líder parlamentar do Fidesz será Gergely Gulyás, antigo ministro da chefia de gabinete de Orbán, e o partido tem um encontro marcado para Junho para definir os passos futuros.

Orbán viajará para os Estados Unidos para o Mundial de futebol no Verão (o futebol é uma grande paixão do primeiro-ministro cessante; na sua pequena cidade natal mandou construir um estádio directamente em frente à sua casa de família) e a viagem está já a ser apresentada como uma potencial preparação para uma mudança para o país, onde vive já parte da sua família.

O jornalista Szabolcs Panyi – que fez parte da equipa que divulgou as conversas do ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria com o seu homólogo russo – já tinha especulado que Orbán poderia considerar mudar-se para os Estados Unidos.

O diário The Guardian diz que figuras importantes do regime estão a procurar lugares em think tanks ligados ao movimento MAGA de Donald Trump, aproveitando ligações estreitas que levaram mesmo o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, a Budapeste em apoio de Orbán.

O ainda deputado anticorrupção Ákos Hadházy, que não foi reeleito, apelou a que Orbán fosse detido preventivamente por suspeita e crimes e perigo de fuga.