Ásia fecha dividida com SoftBank a perder 9%. Bolsa sul-coreana atinge recorde e já vale mais do que a de Londres
Os principais índices asiáticos fecharam divididos entre ganhos e perdas, num dia em que o Banco do Japão decidiu manter as taxas diretoras inalteradas, enquanto uma nova subida do crude, impulsionado por falta de clareza quanto ao rumo da guerra no Médio Oriente, assim como uma queda entre as cotadas ligadas à inteligência artificial (IA) pressionaram o sentimento dos investidores. Ainda assim, o “benchmark” da Coreia do Sul conseguiu atingir um novo recorde.
Pelo Japão, o Topix subiu 0,88%. Já o Nikkei seguiu a tendência contrária e perdeu 1,16%. Em Taiwan, o TWSE cedeu 0,24%. No que toca à China, o Hang Seng de Hong Kong caiu 1,09% e o Shanghai Composite registou uma ligeira descida de 0,33%. Quanto à Coreia do Sul, o Kospi fixou um novo máximo histórico de 6.712,73 pontos e fechou a sessão a avançar 0,47%.
Em novos desenvolvimentos sobre o conflito no golfo Pérsico, a Casa Branca afirmou que autoridades norte-americanas estão a avaliar a mais recente proposta do Irão, mas manteve as “linhas vermelhas” em relação a qualquer acordo para pôr fim à guerra que já dura há oito semanas.
Entretanto, pelo Japão, o iene valorizou 0,20% face ao dólar, depois de os responsáveis do Banco do Japão (BoJ) terem votado por 6 a 3 a favor da manutenção das taxas de juro. A decisão elevou as probabilidades de um aumento das taxas diretoras pelo BoJ em junho para mais de 70%, com os “traders” a seguirem agora a conferência de imprensa do governador Kazuo Ueda, que começou às 15h30, hora de Tóquio.
Na sessão desta terça-feira, o índice regional MSCI Ásia-Pacífico caiu 0,3%, num dia em que as bolsas sul-coreanas ultrapassaram o Reino Unido para se tornarem no oitavo maior mercado bolsista do mundo.
Com a Reserva Federal norte-americana prestes a anunciar a sua decisão de política monetária na quarta-feira, num contexto de incerteza geopolítica, os investidores estão a centrar a sua atenção nos resultados das gigantes tecnológicas para testar se a recente recuperação das ações pode ser sustentada.
“A recente recuperação do setor tecnológico asiático, apesar da perturbação contínua da cadeia de abastecimento, sugere que os investidores estão cada vez mais a ignorar os riscos geopolíticos de curto prazo”, disse à Bloomberg Gary Tan, da Allspring Global Investments. “Mas uma reavaliação sustentada em relação aos EUA dependerá provavelmente dos sinais relativos ao investimento em capital fixo (capex) por parte das ‘sete magníficas’ nos relatórios de resultados desta semana”, acrescentou.
Entre os movimentos, as empresas ligadas à IA, desde o Grupo SoftBank (-9,86%) até à Renesas Electronics (-6,75%), foram as que registaram o pior desempenho no Nikkei nesta terça-feira. “Parece uma pausa, uma respiração” para o Nikkei 225, afirmou Hitoshi Asaoka, da Asset Management One. O índice está a cair “centrado em nomes como a Advantest e a Tokyo Electron, e também o SoftBank, com as ações de semicondutores de IA a registarem uma queda generalizada, apesar da ausência de catalisadores negativos”, resumiu à agência de notícias financeiras.
Por outro lado, a Mitsubishi UFJ Financial Group (+3,12%) foi a cotada que mais contribuiu para a subida do índice Topix. Já pela China, a fabricante chinesa de ‘chips’ fotónicos Lightelligence estreou-se esta terça-feira na Bolsa de Valores de Hong Kong com uma valorização de cerca de 380% na abertura, impulsionada pelo forte interesse dos investidores no setor da inteligência artificial (IA). A CATL, maior fabricante mundial de baterias, chegou a cair mais de 9% em bolsa, tendo fechado a sessão com perdas de mais de 1,50%, após anunciar uma colocação privada de ações de cerca de 5.000 milhões de dólares (4.268 milhões de euros) para expandir o negócio de energias renováveis.