Perante a ameaça dos carros eléctricos chineses, o CEO da Ford está a fazer uma série de declarações provocatórias. A mais recente vai certamente gerar debate. Segundo comentou Jim Farley, já não se deve recorrer à Tesla e a Elon Musk para competir com os modelos vindos da China.
CEO da Ford: “Tesla deixou de ser referência”
O final da década de 2010 foi uma era dourada para a Tesla. As vendas estavam em alta graças ao Model 3 e prometiam crescer ainda mais com a chegada do Model Y. Na altura, a berlina americana oferecia uma extraordinária relação custo-benefício num segmento ainda pouco explorado. O automóvel gozou de uma vantagem significativa durante vários anos. Bons tempos, mas claramente acabaram.
A concorrência intensificou-se, tornando-se uma verdadeira ameaça graças às constantes melhorias. A rede de carregamento rápido também se expandiu, corroendo severamente a liderança da Tesla com os seus Superchargers. As marcas chinesas, os novos especialistas em relação custo-benefício, também estão a chegar em massa a todos os mercados. Atualmente, existem muitos motivos para abandonar a marca americana.
Jim Farley, CEO da Ford, é bastante claro sobre o assunto. Segundo ele, a Tesla já não tem o mesmo apelo de antes. Em entrevista ao Rapid Podcast, afirmou que “se são americanos e querem que superemos os chineses no setor automóvel, todos terão de estar atentos a certos concorrentes, não necessariamente à Tesla”. Ele ofereceu imediatamente justificações para as suas palavras ousadas.
Jim Farley irrita fãs de Elon Musk
Farley explica que a Tesla “não tem um veículo realmente recente. Para [ele], o melhor do mercado, em termos de custo, competitividade, cadeia de abastecimento, experiÊncia em contrução e propriedade intelectual, é a BYD”. Apanhado de surpresa, Elon Musk respondeu rapidamente no X, justificando a observação ao afirmar que foi feita “antes da aprovação do sistema FSD supervisionado na China. O factor limitante é a capacidade de produção em Xangai”.
O potencial de vendas dos Tesla ainda não foi totalmente explorado na China. Entretanto, a Ford está a entrar numa fase crucial de transição na sua estratégia, com investimentos redireccionados para modelos eléctricos mais acessíveis. Os fãs da marca californiana, no entanto, tiveram reações muito mais ácidas em relação a Farley. Segundo estes, o CEO da Ford é o último a ser seguido quando se trata de veículos elétricos.
É certo que, entre o cancelamento da F-150 Lightning devido às vendas insuficientes e a presença de clones da Volkswagen na sua gama europeia, parece que a Ford está a navegar no escuro. Mas isso não é nada comparado com outras escolhas ainda mais absurdas. A decisão de descontinuar o Fiesta, que vendia muito bem, está no topo da lista das decisões ridículas.

