Recentemente, uma startup australiana chamou a atenção por estar construindo um “data center biológico”. Conforme os dados informados pela empresa, os neurônios humanos vivos podem aprimorar os chips de computação tradicionais.
O sistema de união entre o silício (base dos chips tradicionais) e do carbono (base para as células conhecidas) foi nomeado de sistema CL1. A Cortical Labs, responsável pelo mecanismo, tem pretensões de expandir seus sistemas de interpretação e geração de dados.
A utilização do biológico
A premissa parte de que os neurônios são os chips internos do corpo de qualquer ser vivo. Não só decisões morais como também cálculos complexos foram feitos por neurônios até a criação de Alan Turing.
Dessa forma, a utilização de células humanas no componente pode complementar as estruturas tradicionais de interpretação computacional. Porém, há uma diferença fundamental no comportamento dos chips e das células citadas, a forma de se interpretar.
Os neurônios transmitem sinais elétricos em cadeias altamente voláteis que se fortalecem ou se desmontam diante dos estímulos. Desse modo, o aprendizado perpassa camadas do conhecimento que se remodelam constantemente.
Em contrapartida, os chips tradicionais seguem os códigos escritos por programadores anteriormente, modelo que garante alta reprodutibilidade e reprodução de resultados. É por esse motivo que um computador consegue realizar as mesmas ações que outros sem muitas dificuldades.
Para tentar regular os “pensamentos” do neurônio, os pesquisadores fizeram uma câmara fechada na qual são abastecidos com nutrientes e postos em temperaturas adequadas. Dessa maneira, ao colocar eletrodos na base dos recipientes, conseguiam regular o que entrava e o que saía.
No momento em que um impulso entrava, as redes neurais se agitavam para produzir um comportamento útil. Assim, apesar dos sinais caóticos de começo, com o passar do tempo, os padrões passaram a ser mais consistentes.
O CL 1
Portanto, o CL 1 consiste em um sistema híbrido entre células vivas e mecanismos tecnológicos. Conforme a LiveScience, cada sistema CL1 possui cerca de 200.000 neurônios humanos derivados de células-tronco e criados diretamente conectados a um chip de silício, de tal forma que ficam sujeitos aos estímulos de uma matriz de microeletrodos, os quais serão como uma “interface”. No fim, esses mesmos eletrodos, captam e registram a atividade resultante em tempo real.
Modelo 3D do CL 1 disponibilizado no site da empresa – Créditos: Divulgação/Cortical Labs
Vale destacar que em termos computacionais, os neurônios não são tão efetivos quanto os padrões tradicionais. No entanto, a tecnologia controversa pode apresentar uma saída para o mercado de Inteligência Artificial (IA).
Diante da finitude do nosso planeta e os crescentes aumentos do preço das RAMs, uma bolha especulativa começou a pairar sobre os data centers de IA. Porém, a alta necessidade de consumir energia e água desses centros podem apresentar riscos à tecnologia ao longo prazo.
Contudo, a principal ferramenta de transformação do mundo consegue operar com apenas 20 watts de potência, esse é o cérebro humano. Apesar de não ser a melhor em configuração e interpretação de dados de alta intensidade, tarefas como reconhecimento de padrões, aprendizado e tomada de decisões são de notável eficiência.
Assim, tentar controlar as estruturas neurais pode apresentar novos caminhos mais ecológicos para o processamento computacional. Porém, a tecnologia ainda apresenta resistências por conta de sua controvérsia.
O primeiro data center da empresa foi inaugurado na Austrália. Conforme seus relatos, pretendem abrir uma filial maior em Singapura.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes