O Novo IRA afirmou que passará a visar as casas de agentes da polícia com bombas, depois de confirmar que colocou um carro-bomba que explodiu junto a uma esquadra nos arredores de Belfast no sábado, segundo noticiou esta terça-feira o jornal Irish News, que atribui a declaração ao grupo militante nacionalista.
Ninguém ficou ferido na explosão em Dunmurry, que ocorreu depois de um veículo de entregas ter sido roubado e o condutor forçado a conduzi-lo até à esquadra. Tratou-se da mais recente tentativa esporádica de grupos militantes de atacar agentes da polícia, quase 30 anos após um acordo de paz ter, em grande medida, posto fim à violência sectária na região.
A polícia da Irlanda do Norte disse entretanto que um homem de 66 anos tinha sido detido ao abrigo da Lei do Terrorismo, na sequência do ataque à esquadra de Dunmurry, informando que estavam ainda a decorrer buscas tanto na zona leste como na zona oeste de Belfast.
O Novo IRA, fundado em 2012 e composto por nacionalistas e republicanos extremistas que faziam parte do Exército Republicano Irlandês (IRA), é um dos poucos grupos militantes ainda activos que se opõem ao acordo de paz de 1998. Tem estado por detrás de muitos dos ataques contra a polícia, incluindo uma tentativa semelhante de atentado com carro-bomba numa esquadra nos arredores de Belfast no mês passado.
A intenção de atingir agentes da polícia nas suas casas representaria uma escalada desses ataques. O último agente morto na Irlanda do Norte, o agente Ronan Kerr, morreu quando uma bomba explodiu debaixo do seu carro à porta de casa, há 15 anos.
O grupo dissidente rejeita os compromissos políticos no centro do Acordo de Sexta-Feira Santa, segundo os quais a Irlanda do Norte permanecerá parte do Reino Unido, a menos que a maioria da região vote, em referendo, a favor da reunificação com a Irlanda.
Num comunicado que, segundo o Irish News, recebeu e que incluía uma palavra-código para confirmar a sua autenticidade, a organização afirmou que pretendia matar agentes que saíssem da esquadra, depois de o condutor ter sido instruído a gritar que havia uma bomba no carro quando estes saíssem.
“É nossa intenção, se continuarem a assediar o povo republicano, bombardeá-los (agentes da polícia) nas suas próprias casas, sem qualquer aviso”, acrescentou o comunicado.
O Novo IRA, uma organização muito menor do que o Exército Republicano Irlandês, que depôs as armas após o acordo de paz, reivindica normalmente a responsabilidade por quaisquer ataques através de comunicados codificados enviados a jornais locais.