Os bancos não vêem razões para apertar os critérios de concessão de crédito às famílias no segundo trimestre, já em curso, quer no destinado à compra de habitação, quer ao consumo, revela o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito, divulgado nesta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP). Já nos novos empréstimos a empresas, o grupo de bancos participante no inquérito, relativo ao mercado nacional, admite a adopção de critérios ligeiramente mais restritivos para pequenas e médias empresas (PME) e em empréstimos de longo prazo.
No segmento dos particulares, e apesar da manutenção de critérios de concessão, como spreads (margem comercial do bancos), prazos dos contratos ou de avaliação de solvabilidade, as instituições bancárias esperam uma diminuição na procura de novos empréstimos, quer no financiamento para aquisição de habitação, quer para despesas de consumo.
Curiosamente, o abrandamento esperado para o período compreendido entre Abril e Junho acontece depois de um aumento da procura no primeiro trimestre do ano nos dois segmentos.
E ainda relativamente ao primeiro trimestre, os bancos participantes no inquérito referiram que “as perspectivas do mercado da habitação, incluindo a expectativa de evolução de preços”, contribuíram ligeiramente para critérios mais restritivos, embora sem impacto agregado. E devido aos critérios ligeiramente mais apertados, e ao contrário do que se passou nas empresas, a proporção de pedidos de empréstimos rejeitados a particulares registou “um ligeiro aumento”.
O crescimento da procura por crédito entre Janeiro e Março é justificado, na habitação, pelo “regime regulamentar e fiscal do mercado da habitação [em que se inclui a garantia pública e as isenções de IMT e de imposto do selo], e, em menor grau, [pelas] perspectivas do mercado da habitação, incluindo a expectativa de evolução de preços”. No consumo e outros fins, “a confiança dos consumidores e o financiamento de despesas de consumo com recurso a empréstimos garantidos por imóveis deram um contributo ligeiro para o aumento da procura”.
Nas empresas, o acesso a novos financiamentos foi ligeiramente mais difícil no primeiro trimestre, embora mitigado por maior concorrência entre pares. “A percepção de riscos associados à situação e perspectivas económicas gerais e de empresas ou sectores de actividade específicos e a tolerância a riscos contribuíram ligeiramente para aumentar a restritividade dos termos e condições gerais aplicados nos empréstimos a empresas”, refere-se nas conclusões do inquérito. Contudo, “a concorrência de outras instituições bancárias contribuiu ligeiramente em sentido oposto”.
A maior restritividade no crédito a empresas, tanto PME como grandes empresas, traduziu-se num “ligeiro aumento do spread aplicado nos empréstimos de maior risco”, e, no segmento das PME, “acresce ainda o ligeiro aumento da restritividade associada à maturidade dos empréstimos”.
Em sentido oposto, verificou-se uma “ligeira diminuição da taxa de juro e do spread aplicado nos empréstimos de risco médio, assim como das comissões e outros encargos não relacionados com taxas de juro, tanto nas PME como nas grandes empresas”.
Para o segundo trimestre, as instituições financeiras admitem “critérios de concessão de crédito ligeiramente mais restritivos para PME e em empréstimos de longo prazo”.
O questionário foi enviado aos bancos em 19 de Março de 2026 e o envio de respostas decorreu até 6 de Abril.