Dos Países Baixos surge um daqueles casos administrativos que promete perdurar por vários anos e até servir de exemplo, dado o grau de gravidade e de insólito. A 15 de março, na 27.ª jornada do campeonato neerlandês, o Go Ahead Eagles utilizou Dean James na goleada aplicada ao NAC Breda (6-0). Contudo, o lateral esquerdo havia adquirido recentemente a nacionalidade indonésia, o que levou o Go Ahead Eagles a incorrer no incumprimento dos regulamentos.

De acordo com as regras da prova, o jogador em causa perdeu automaticamente a cidadania neerlandesa quando optou por representar a Indonésia, como determina a Lei dos Países Baixos para casos de naturalização voluntária. Por isso, Dean James estava obrigado a apresentar um visto de trabalho específico e a auferir o salário mínimo exigido a atletas extracomunitários, o que não aconteceu.

Ora, o NAC Breda – a lutar pela manutenção – apercebeu-se de tal erro e apresentou um protesto formal, exigindo a repetição do encontro. Mas a aproximação do fim da época torna impossível a repetição de, pelo menos, seis jogos do Go Ahead Eagles.

«Se o NAC vencer o processo, outros clubes também vão avançar com ações similares. Isso pode significar que a competição não vai ser concluída. Não acho que tenhamos sido negligentes. A nacionalidade é uma questão de privacidade muito sensível», referiu Marianne van Leeuwen, vice-presidente da federação neerlandesa.

A decisão do tribunal de Utrecht vai ser conhecida na segunda-feira e pode colocar em causa mais de 100 partidas já realizadas. De recordar que Portugal ultrapassou recentemente os Países Baixos no ranking da UEFA.

O Go Ahead Eagles ocupa o 11.º lugar do campeonato, a cinco pontos da zona europeia, enquanto o NAC é 17.º, a seis pontos de zona segura.