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O Reino Unido convocou esta quarta-feira o embaixador russo em Londres, Andrey Kelin, em resposta à “decisão injustificada” de expulsar um diplomata britânico no mês passado, e revogou a acreditação de um diplomata russo como retaliação.

Londres convoca embaixador de Moscovo e expulsa diplomata russo em retaliação

Henry Nicholls

“Condenamos veementemente a decisão injustificada da Rússia de expulsar outro diplomata britânico e a campanha maliciosa de difamação pública que se seguiu”, afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, em comunicado.

“Por este motivo, convocámos o embaixador russo para lhe anunciar que estamos a tomar medidas recíprocas, revogando a acreditação de um diplomata russo”, acrescentou.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico classificou como “totalmente inaceitável” a decisão de Moscovo e advertiu que não vai tolerar qualquer tipo de assédio ou intimidação do pessoal diplomático.

“Qualquer ação adicional por parte da Rússia será considerada um agravamento e receberá uma resposta firme e proporcional”, avisou.

Em março passado, a Rússia expulsou um diplomata britânico depois de ter sido acusado de “atividades de espionagem e subversivas” que ameaçavam a segurança do país, pelo Serviço Federal de Segurança russo (FSB), alegação que o Reino Unido considerou “um completo disparate”.

É a segunda vez, em pouco mais de dois meses, que o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico convoca o embaixador russo, depois de em fevereiro, ter também criticado a expulsão de outro diplomata britânico e reciprocado com a anulação da acreditação de um diplomata russo.

Relação Moscovo-Londres fragilizada

As relações entre Moscovo e Londres, já fragilizadas desde a anexação ilegal da Crimeia em 2014 e o apoio russo aos separatistas no Donbass, agravaram-se significativamente com o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.

O Governo britânico tem mantido uma posição firme de apoio a Kiev, reforçando simultaneamente a pressão sobre a Rússia com sucessivos pacotes de sanções económicas.

Mais recentemente, as tensões intensificaram-se, com Londres a acusar Moscovo de conduzir “atividades de guerra híbrida”, depois da deteção, por parte das forças armadas britânicas, de submarinos russos junto a cabos de telecomunicações submarinos em águas britânicas.

O histórico recente das relações bilaterais inclui ainda o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e da filha, em Salisbury, em 2018, com o agente nervoso Novitchok, bem como a morte do antigo agente Alexander Litvinenko, em Londres, em 2006, depois da ingestão de polónio-210.

Ambos os episódios foram atribuídos pelas autoridades britânicas a operações ligadas ao Estado russo, acusações sempre rejeitadas por Moscovo.