Gavriil Grigorov / Sputnik / Kremlin / EPA

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o presidente dos EUA, Donald Trump

Russos irritados com o trabalho de “prevenção do terrorismo”; nos EUA, mesmo apoiantes de longa data afastam-se de Trump.

Há alguns pontos que unem Donald Trump e Vladimir Putin. Mas nos últimos tempos há um ponto que, provavelmente, ambos preferiam não ter em comum: críticas internas.

O presidente da Rússia, e o Kremlin no geral, já estão sob pressão (invulgar) na Rússia há algum tempo.

Ainda em 2022, no final do ano em que a Rússia invadiu a Ucrânia, “só” 25% dos russos queriam que a guerra continuasse, enquanto mais de metade (55%) preferia negociações de paz. Na altura, o Kremlin considerou que seria melhor nem realizar mais sondagens.

Nos meses seguintes, e no ano seguinte, começaram a aparecer mortos oligarcas, deputados ou opositores do Kremlin; vários caíram de varandas. Já neste ano, um antigo apoiante de Putin passou a ser opositor – e foi internado num manicómio.

No final de 2024, os sinais eram evidentes de que a economia na Rússia passava por problemas sérios.

Ao longo das últimas semanas, Moscovo começou a ficar muitas vezes sem internet móvel. A segurança é prioridade, é um trabalho de prevenção de terroristmo, justificou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin.

Estes bloqueios de rede já começam a irritar os russos, sublinha a CNN, que menciona uma “Primavera de descontentamento” na Rússia.

Há outros motivos de contestação. Apareceu uma nova ronda de detenções e rusgas policiais de alto nível: uma editora foi alvo de rusgas e investigação criminal porque faz “propaganda LGBTQ+”; um jornal independente também foi alvo de buscas e um jornalista detido; uma organização de defesa de direitos humanos foi classificados “extremista”; Facebook e Instagram proibidos, enquando o Kremlin tenta “empurrar” os russos para a MAX, uma aplicação de mensagens controlada pelo Estado russo.

E também não é indiferente o número crescente de celebridades que passaram a criticar Vladimir Putin e o Kremlin. A que mais “abanou” o sistema foi Victoria Bonya – que já originou um debate nacional invulgar, com direito a palavras menos próprias.

Nos EUA

Precisamente neste campo, de celebridades que apoiavam o presidente e agora criticam: Tucker Carlson era um dos maiores apoiantes de Donald Trump – mas na semana passada rompeu publicamente com o presidente dos EUA. Porque cheou o momento de “lidar com a nossa consciência”.

“Sabes, isto vai assombrar-nos durante muito tempo. Vai assombrar-me, pelo menos, e quero pedir desculpa por ter enganado as pessoas. Não era essa a minha intenção”, admitiu, numa conversa com o seu irmão no seu podcast, The Tucker Carlson Show.

O ataque ao Irão – já depois da Venezuela e depois de ameaças sobre Gronelândia ou Cuba – aumentou a contestação interna.

As eleições ainda estão longe (2028) mas dentro do Partido Republicano já se pensa numa possível derrota. E já se pensa sobre quem deve ser o melhor candidato, sublinha o Handelsblatt, que fala em “revolta” contra Trump.

O principal factor de preocupação é precisamente a perda de apoio à volta do actual presidente Donald Trump, que está a assistir a níveis mínimos históricos de popularidade.

Não é só Tucker Carlson: vários apoiantes tradicionais do líder republicano começaram a afastar-se. Há um desgaste político após promessas eleitorais não cumpridas e decisões controversas.

Os actuais desafios económicos internos e externos, tensões internacionais e um ambiente nos EUA polarizado colocam pressão adicional sobre a liderança republicana.

Reina um cenário de incerteza quanto à capacidade de o Partido Republicano manter o controlo institucional.


Nuno Teixeira da Silva, ZAP //


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