A Europa está a acelerar o reforço da sua capacidade militar, com a Alemanha a assumir um papel central nesse processo. Segundo informações avançadas pela Newsweek, o país já conseguiu ultrapassar os Estados Unidos na produção de determinados tipos de munições, num contexto de crescente rearmamento europeu.

O grupo alemão Rheinmetall aumentou significativamente a sua capacidade produtiva nos últimos anos. O diretor executivo Armin Papperger revelou que a empresa mais do que quadruplicou a produção anual de munições de médio calibre e elevou a produção de projéteis de artilharia para cerca de 1,1 milhões de unidades, um salto expressivo face às 70 mil anteriormente registadas.

Este tipo de munição de médio calibre é habitualmente utilizado em veículos blindados e sistemas automáticos, situando-se entre as balas de metralhadora e os projéteis de artilharia pesada.

Europa quer reduzir dependência dos Estados Unidos

Segundo a Newsweek, este reforço industrial acontece num momento em que os países europeus procuram reduzir a sua dependência militar dos Estados Unidos. Donald Trump pressionou os aliados da NATO a aumentarem os seus gastos com defesa e a assumirem maior responsabilidade pela sua própria segurança.

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Ao mesmo tempo, Washington tem vindo a concentrar-se cada vez mais na região do Indo-Pacífico, face à crescente influência militar da China, deixando a Europa sob maior pressão para reforçar as suas capacidades.

A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 intensificou a necessidade de produção de armamento, especialmente munições de artilharia, como os projéteis de 155 mm, amplamente utilizados pelos países da NATO.

O conflito tem consumido grandes quantidades deste tipo de munições, obrigando as indústrias de defesa ocidentais a expandirem fábricas e a criarem novas linhas de produção para responder à procura crescente.

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Aumento histórico do investimento militar

O reforço da produção acompanha também um aumento significativo do investimento em defesa. Em junho de 2025, os países da NATO comprometeram-se a destinar até 5% do seu Produto Interno Bruto à área militar e infraestruturas relacionadas na próxima década.

Dados do Stockholm International Peace Research Institute indicam que a despesa militar global cresceu quase 3% no último ano, impulsionada sobretudo por um aumento de 14% nos gastos europeus.

O chanceler alemão Friedrich Merz tem defendido uma Europa mais autónoma em matéria de defesa, marcando uma mudança significativa face à postura histórica do país após a Segunda Guerra Mundial.

Já o ministro da Defesa, Boris Pistorius, afirmou que a Alemanha pretende ter “o exército convencional mais forte da Europa” até 2039.

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A escassez de munições tornou-se uma preocupação central para a NATO. O secretário-geral Mark Rutte sublinhou a necessidade urgente de reforçar não só os arsenais, mas também outras capacidades militares, como os sistemas de defesa aérea.

Neste cenário, empresas como a Rheinmetall estão a desempenhar um papel decisivo, com a abertura de novas fábricas,  incluindo uma que deverá tornar-se a maior unidade de produção de munições da Europa.