Ásia no vermelho com escalada do crude a pressionar índices
Uma nova escalada dos preços do crude nos mercados internacionais, depois de Donald Trump ter dito à Axios que rejeitou a proposta do Irão de reabrir o estreito de Ormuz e adiar as negociações sobre o programa nuclear do país, provocou quedas em praticamente todos os principais índices bolsistas da Ásia. Isto após as cotadas da região, especialmente as ligadas à inteligência artificial (IA) ainda terem registado avanços depois de terem sido conhecidos os resultados apresentados ontem após o fecho de Wall Street da Meta, Alphabet, Amazon e Microsoft.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 1,15%, movimento igualmente acompanhado pelo Topix, que recuou 1,31%. Já por Taiwan, o TWSE cedeu 0,96%. No que toca à China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 1,06% e o Shanghai Composite registou uma subida de 0,21%. Quanto à Coreia do Sul, o Kospi perdeu 0,94%.
O petróleo atingiu o nível mais alto em quase quatro anos, num contexto de crescente pessimismo quanto aos esforços para pôr fim ao conflito no Médio Oriente. O índice regional MSCI Ásia-Pacífico caiu 1,5% e os futuros europeus apontam agora para quedas de cerca de 1% na abertura.
Desde a subida dos preços do petróleo impulsionada pela guerra no Irão até uma Reserva Federal dividida que ontem manteve as taxas inalteradas, a par dos resultados trimestrais das gigantes tecnológicas, os investidores estão a lidar com uma onda de fatores. O cenário está a pôr à prova uma recuperação global dos mercados acionistas que apagou as perdas relacionadas com a guerra e empurrou os mercados dos EUA, Japão, Taiwan e, também Coreia do Sul para novos máximos, impulsionados por fortes resultados do setor tecnológico.
“Uma combinação de preços do petróleo mais elevados durante o nosso fuso horário, notícias de que os EUA estão a considerar opções militares no Irão, além da Europa a acordar com estas notícias, está a afetar o sentimento nos mercados”, disse à Bloomberg Rodrigo Catril, do National Australia Bank em Sydney.
E nesta quinta-feira, os mercados estarão atentos à decisão de taxas de juro e perspetivas para a economia da Zona Euro apresentadas pelo Banco Central Europeu e o Banco de Inglaterra. Espera-se que ambos mantenham as taxas de juro inalteradas, à semelhança do que já foi decidido pelo Japão, Canadá e EUA. Também as contas da Apple centrarão atenções. O panorama entre ativos de risco está a começar a assemelhar-se ao observado em março, em que as ações e as obrigações caíram em uníssono, enquanto o petróleo e o dólar americano sobem.
E apesar das quedas desta quinta-feira, o índice Kospi, da Coreia do Sul, está a caminho do seu melhor mês desde 1998 e o TWSE, em Taiwan, do melhor desde 2001. “A IA está a proporcionar aos mercados uma história de crescimento estrutural, mas o petróleo está a transformar a geopolítica num risco de inflação estrutural”, afirmou, por sua vez, Charu Chanana, da Saxo Markets. “Com o posicionamento ainda sobrecarregado em alguns setores tecnológicos, o mercado já não pode depender apenas da solidez dos resultados”, resumiu o especialista.
Entre os movimentos do mercado, a Toyota Motor Corp. foi a que mais contribuiu para a queda do índice Topix, tendo registado uma desvalorização de mais de 3,50%. Já outros pesos-pesados da região, como a Samsung (-1,77%) e a TSMC (-2,06%) pressionaram a negociação.