A partilha das músicas geradas por inteligência artificial generativa, assim como o streaming fraudulento estão a desviar as receitas dos criadores de conteúdos e artistas musicais, alerta a Audiogest.

Um relatório da Audiogest, a propósito do Dia Mundial da Propriedade Intelectual, que se assinalou a 26 de abril, salienta a preocupação que os artistas estão a viver devido à disseminação de músicas criadas por IA generativa. Mas também streamings fraudulentos, que desviam as respectivas receitas de quem tem direito, como os artistas, autores e produtores. 

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Segundo dados da Deezer, mais de 40% das músicas carregadas diariamente, ou seja, cerca de 75 mil faixas, são criadas por IA. Este é um crescimento de 10% face aos dados do início de 2025. A plataforma identificou mais de 13,4 milhões destas faixas no último ano, enquanto a Spotify removeu mais de 75 milhões de conteúdos gerados por inteligência artificial. Segundo a Audiogest, é “um volume sem precedentes que está a amplificar o risco de manipulação do sistema”. 

A fraude opera através de redes de bots que inflacionam reproduções e geram royalties indevidos. Um caso nos Estados Unidos rendeu mais de 8 milhões de dólares através de milhares de milhões de streams artificiais. Para a Audiogest, isto representa um “desvio direto de valor” que ameaça a sustentabilidade do mercado musical e distorce a concorrência, comprometendo a diversidade cultural.

A associação defende medidas como a verificação rigorosa de identidade, a validação da legitimidade das obras antes da sua disponibilização, sistemas de deteção avançadas de padrões anómalos e maior partilha de informação entre plataformas, distribuidores e restantes agentes. Sublinha ainda que a resposta deve ser contínua e adaptativa, garantindo que a inovação tecnológica não compromete os direitos dos criadores nem a diversidade cultural.

A Audiogest reforça o compromisso de proteger o valor da música gravada e de promover um mercado digital mais justo e transparente, alinhado com os interesses de quem cria e investe nesta indústria. Também deve garantir que os sistemas de remuneração refletem de forma fidedigna o consumo real de música.

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