O primeiro trimestre de 2026 foi, para muitas famílias, um período de contas difíceis, especialmente no momento de atestar o depósito. Para as grandes petrolíferas europeias, no entanto, foi um excelente começo de ano, com os números a falarem por si: a Galp, a Repsol e a BP registaram, entre janeiro e março, subidas expressivas nos lucros.

O contexto geopolítico foi o grande acelerador desta equação. A escalada do conflito no Médio Oriente, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz, fez disparar as cotações do crude.

De acordo com a norte-americana Energy Information Administration (EIA), o barril de Brent começou o ano nos 61 dólares e fechou o trimestre nos 118 dólares, a maior subida trimestral em termos reais desde 1988.

O preço médio de março ficou nos 99,40 dólares por barril, segundo dados do International Monetary Fund (em português, FMI) compilados pelo Federal Reserve de St. Louis.

Para as petrolíferas, este cenário promoveu o crescimento dos lucros.

Galp: o Brasil a puxar os resultados

Neste primeiro trimestre do ano, a petrolífera portuguesa foi das mais beneficiadas.

A Galp fechou os primeiros três meses de 2026 com um lucro ajustado de 272 milhões de euros, uma subida de 41% face ao mesmo período de 2025. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) cresceu na mesma proporção, para 943 milhões de euros.

O motor foi o negócio de exploração e produção, responsável por cerca de 73% do resultado operacional, cujo EBITDA aumentou 78%, combinando um incremento de 23% na produção com a subida do crude.

A entrada em plena produção do Campo de Bacalhau, no Brasil, onde a Galp detém uma participação de 20%, foi determinante para este salto.

BP

BP: de prejuízo a 3,8 mil milhões em três meses

No último trimestre de 2025, a BP havia registado um prejuízo de 3,4 mil milhões de dólares. Entre janeiro e março de 2026, reverteu esse cenário com um lucro líquido de 3,8 mil milhões de dólares, uma subida de 453% face aos 687 milhões do mesmo trimestre do ano anterior.

O resultado subjacente de substituição de custos, a métrica que a empresa usa como referência de lucro operacional, mais do que duplicou, para 3,2 mil milhões de dólares, acima das expectativas do mercado.

O salto foi impulsionado por contribuições descritas como “excecionais” no trading de petróleo e por margens de refinação mais altas face ao mesmo período de 2025.

Segundo a presidente executiva da BP, Meg O’Neill, a indústria petrolífera “opera num ambiente de conflito e complexidade, desempenhando um papel vital para garantir o abastecimento de energia”.

Posto de combustível da Repsol no Restelo

Repsol: solidez mesmo com a volatilidade

Os lucros da espanhola Repsol dispararam 153,8%, com um resultado líquido total de 929 milhões de euros e um resultado ajustado de 873 milhões de euros.

Em Espanha, a margem de refinação cresceu 105,7% face ao mesmo período de 2025, atingindo 10,9 dólares por barril. A produção ficou nos 539 mil barris equivalentes por dia, praticamente estável face ao ano anterior.

A empresa aprovou ainda um aumento do dividendo, com um total previsto de 1,051 euros por ação em 2026, um aumento de cerca de 8%.

O outro lado da moeda dos lucros

O que estes resultados têm em comum é o choque geopolítico que fez subir o preço do petróleo para valores que pesaram imediatamente na carteira dos consumidores.

Neste três primeiros meses de 2026, as petrolíferas viram os lucros crescer a um ritmo que poucos setores da economia conseguem replicar.

 

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