The White House/Flickr

O presidente dos EUA Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e a equipa de segurança nacional na Casa Branca.

Vice-presidente terá questionado repetidamente se o Pentágono está a dar a Trump uma imagem fiel da guerra com o Irão. O secretário de guerra, Pete Hegseth, pode estar a fazer um retrato enganador.

O vice-presidente norte-americano JD Vance terá manifestado repetidamente, em privado, dúvidas sobre a exatidão das informações transmitidas pelo Pentágono ao Presidente Donald Trump acerca da guerra com o Irão.

Segundo uma reportagem da revista The Atlantic, as preocupações do vice-presidente incidem sobretudo sobre o verdadeiro estado das reservas de armamento dos Estados Unidos e sobre a dimensão dos danos infligidos às capacidades militares de Teerão.

Segundo dizem fontes próximas de Vance à revista, o braço direito de Trump terá questionado se a avaliação altamente otimista apresentada pela liderança militar corresponde à realidade no terreno.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine, têm feito uma descrição do conflito, que se arrasta há dois meses, muito favorável às tropas norte-americanas.

No entanto, Vance teme que a repetida leitura de que tudo está a correr como planeado e que as estruturas defensivas iranianas sofreram graves danos possa ser demasiado otimista.

Em reuniões com Trump, terá até questionado a disponibilidade de determinados sistemas de mísseis, com medo de que uma eventual escassez de munições venha a limitar a capacidade dos EUA para responder a crises futuras envolvendo a China, a Coreia do Norte ou a Rússia.

JD Vance tem apresentado estas reservas como preocupações pessoais, ainda de acordo com a The Atlantic, e evitado acusar directamente Hegseth ou Caine de estarem a induzir o Presidente em erro, com o objetivo de não criar divisões no seio do gabinete de guerra de Donald Trump. Mas alguns aliados do vice-presidente confessam que o retrato feito por Hegseth é tão positivo e construído para agradar a Trump que pode tornar-se enganador — Hegseth já chegou a dizer até que as forças de defesa iranianas foram dizimadas e que o espaço aéreo do país está sob “controlo completo” dos EUA.

A leitura de Hegseth é muito diferente de outras, por exemplo, dos próprios serviços de informações dos EUA, cujas estimativas apontam para que Teerão conserve ainda cerca de dois terços da sua força aérea, a maior parte da sua capacidade de lançamento de mísseis e a maioria das pequenas embarcações usadas para colocar minas e pressionar a navegação no estreito de Ormuz.

No final de março, Trump também veio garantir que o Irão já mudou de regime, para um “novo e mais razoável” que estaria a negociar com os EUA, mas logo a seguir o próprio secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, procurou ter mais cautela ao abordar esse assunto, dando a entender que um novo regime não estava ainda no poder. Aliás, os meios de comunicação notam que não há sinais claros de verdadeira mudança de regime.

Também a Europa — ou pelo menos alguns dos seus “tubarões” — parece estar cética em relação ao domínio norte-americano nestas oito semanas de guerra no Irão. O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse esta segunda-feira que “uma nação inteira está a ser humilhada pela liderança iraniana”, referindo-se aos EUA, ao que Trump já respondeu, dizendo, entre outros ataques, que Merz “acredita que o Irão pode ter armas nucleares”.

Recorde-se que JD Vance terá sido uma das vozes contrárias à operação militar antes do seu início, a 28 de fevereiro, embora depois tenha apoiado publicamente Trump.


Tomás Guimarães, ZAP //


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