Avanço da doença preocupa autoridades de saúde que reforçam a necessidade de mobilização coletiva contra o Aedes
No total, o município contabiliza 7.371 notificações da doença, com 5.271 casos prováveis, 2.755 confirmados, 2.100 descartados e 2.516 ainda em investigação. (Foto: A. Frota)
O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), instituído pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento à epidemia de Chikungunya, confirmou nesta quinta-feira (30) a nona morte provocada por complicações da doença no município.
A vítima mais recente é um indígena de 29 anos, morador da Aldeia Bororó, que apresentou os primeiros sintomas no dia 19 de abril e morreu em 25 de abril, no Hospital da Vida. Com o novo registro, o total de óbitos chega a nove, sendo oito entre indígenas.
“Infelizmente, mais uma vítima dessa grave doença e, ainda assim, muita gente está relativizando o problema, não está levando essa epidemia a sério”, lamenta o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, que também coordena o COE.
Histórico de mortes
A sequência de óbitos evidencia a gravidade do cenário. A primeira morte foi de um indígena de 69 anos, em 25 de fevereiro. Em seguida, um homem de 73 anos morreu em 9 de março. No dia 10 de março, um bebê indígena de três meses também não resistiu à doença.
Outras mortes foram registradas em sequência: um indígena de 60 anos (12 de março), outro de 77 anos (14 de março), um bebê de um mês (24 de março) e um indígena de 55 anos (3 de abril). O oitavo óbito foi de um paciente negro, de 63 anos, em 13 de abril.
Situação epidemiológica
De acordo com o boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (30), Dourados registra atualmente 35 pacientes internados com Chikungunya, distribuídos entre diferentes unidades de saúde:
- Hospital Porta da Esperança (Missão Caiuá): 2 pacientes,
- Hospital Universitário da UFGD: 20 pacientes;
- Hospital Cassems: 3 pacientes;
- Hospital Regional: 4 pacientes;
- Hospital da Vida: 3 pacientes;
- Hospital Hospital Evangélico Mackenzie: 3 pacientes.
No total, o município contabiliza 7.371 notificações da doença, com 5.271 casos prováveis, 2.755 confirmados, 2.100 descartados e 2.516 ainda em investigação.
Nas aldeias Bororó e Jaguapiru, a situação também é crítica: são 3.113 notificações, 2.474 casos prováveis, 1.759 confirmados, 636 descartados e 715 em investigação.
Alerta à população
O avanço da doença preocupa as autoridades de saúde, que reforçam a necessidade de mobilização coletiva no combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor da Chikungunya.
“A situação continua muito grave e as pessoas precisam entender que combater os focos do mosquito não é obrigação exclusiva da prefeitura, mas de toda a população”, enfatiza Márcio Figueiredo.
“Somente com esforços conjuntos, eliminando água parada, mantendo os quintais limpos e descartando o lixo corretamente, será possível conter o avanço da doença”, conclui.