O projeto de um hotel em Ponte de Lima, a cargo do atelier Tiago do Vale Arquitectos, foi destacado recentemente no prestigiado portal de arquitetura ArchDaily.
Em causa está a transformação de um complexo rural que remonta ao século XVIII, mais precisamente a 1773, localizado na Serra da Labruja, próximo ao Caminho de Santiago.
O projeto, promovido pela empresa Montenegro & Fiuza, nasceu da “sobreposição de sucessivos ciclos de construção, abandono, reconstrução e transformação”, sem que nunca tivessem sido documentados.
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
“O núcleo inicial, com elementos datados de 1747, seria uma estrutura simples e paralelepipédica de um só piso, cuja presença ainda se adivinha na composição das fachadas sobreviventes, cuidadosamente aparelhada numa combinação de granito e xisto, refletindo a geologia particular do lugar”, refere o atelier de Braga, na descrição do projeto disponível no seu ‘site’.
O conjunto desenvolve-se a partir desse núcleo primitivo: “uma construção representativa de uma arquitetura rural de matriz agrícola mas que revela, também, uma riqueza e dignidade que a destacam do contexto imediato”.
De acordo com os arquitetos, este conjunto, como “tantos edifícios do mundo rural português”, foi crescendo de forma orgânica, tanto em área como em altura, através de sucessivas ampliações.
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
Foto: João Morgado
“Reconstruiu-se uma vez mais durante a primeira metade do século XX, já com estrutura porticada em betão pelo interior, mantendo a volumetria pré-existente (entretanto arruinada), desenhando um corpo em ‘L’ que encerra um logradouro com acesso pela rua”, nota.
Da construção original persistia apenas parte das fachadas, no interior das quais, ainda assim, sobrevivem elementos que, pela sua natureza e acabamento, “refletem a sua condição” como propriedade do reitor do Santuário do Senhor do Socorro, situado naquela zona.
A reabilitação da Casa das Cerdeiras e a sua adaptação a hotel – atualmente Capim Limão Country House – implicou abordagens distintas, respeitando “o passado sem o mitificar, num convívio de diferentes tempos, usos e memórias, dispersos por diferentes partes do edificado”. A obra foi executada pela Vodul – Sociedade de Construções Civis, de Viana do Castelo.
A reposição “simplificada” de elementos tradicionais já desaparecidos (como rodapés, coberturas, caixilharias ou portadas) nos panos de fachada sobreviventes procurou “valorizar a preexistência, minimizando distrações introduzidas por elementos posteriores”.
Simultaneamente, a equipa de arquitetos preocupou-se com a reconstrução de peças parcialmente desaparecidas (como o palheiro), que foram levantadas de uma forma que, embora cite diretamente o que terão sido no passado, “não apresenta ambiguidades em relação ao tempo da intervenção”.
A organização do edificado “assenta nos princípios do lugar, retomando a ligação entre a casa e o palheiro ao longo de um muro preexistente, e desenhando a partir daí as ligações à nova ala de quartos”.
O antigo terreiro transforma-se na grande sala da casa e os anexos implantam-se atrás de muros de suporte graníticos, repetindo as soluções que “sempre compuseram o território da Casa, ligando-se os sucessivos socalcos com a introdução de escadas pontuais”.
O exterior desenvolve-se em socalcos da casa, contando com uma piscina em granito, como memória dos tanques de rega do Minho. Abre-se ainda um pequeno auditório, que é um lugar para apreciar o pôr-do-sol.
Toda a descrição do projeto, destacado no ArchDaily em 23 de abril deste ano, pode ser consultada no ‘site’ do atelier Tiago do Vale Arquitectos (aqui).