D. António Juliasse apela à solidariedade internacional
Foto: Fundação AIS
Lisboa, 01 mai 2026 (Ecclesia) – A histórica paróquia católica de São Luís de Monfort, na localidade de Meza, província moçambicana de Cabo Delgado, foi “reduzida a escombros” após um ataque terrorista ocorrido na tarde desta quinta-feira.
Segundo a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), os insurgentes invadiram a aldeia por volta das 16h00 do dia 30 de abril, tendo queimado e destruído totalmente o edifício religioso, que desde 1946 era um símbolo da presença católica na região norte de Moçambique.
O bispo de Pemba, D. António Juliasse, confirmou que os responsáveis pela comunidade, missionários oriundos dos Camarões, não se encontravam no local e “estão a salvo”.
Durante a incursão, os atacantes capturaram civis, que foram “usados como audiência para discursos de ódio”, descreveu o prelado, numa mensagem enviada esta madrugada à AIS em Lisboa.
“A comunidade permanece em choque após os atacantes terem abandonado livremente a aldeia ao cair da noite”, lamentou o bispo diocesano.
Perante o cenário de destruição de casas e infraestruturas, D. António Juliasse apelou à solidariedade internacional e garantiu a resiliência da população perante a perseguição movida pelos grupos armados, que reivindicam pertencer ao ‘Estado Islâmico’ de Moçambique.
“Pedimos atenção e solidariedade para com as vítimas de Meza. Já vamos perto de nove anos que queimam capelas e igrejas na Diocese de Pemba. Mas a fé deste povo de Deus nunca será queimada, ela reconstrói-se diariamente!”, sublinhou o bispo.
A destruição da igreja em Meza agrava o balanço da violência contra a comunidade cristã em Cabo Delgado.
Em dezembro de 2025, durante a visita a Moçambique do cardeal Pietro Parolin, enquanto representante do Papa Leão XIV, D. António Juliasse revelou que mais de 300 católicos já tinham sido mortos, “a maioria por decapitação”.
Até essa data, a diocese contabilizava 117 igrejas e capelas destruídas, 23 das quais apenas em 2025.
O conflito armado no norte de Moçambique, iniciado em outubro de 2017, já provocou mais de 6300 mortos e forçou a fuga de mais de um milhão de deslocados, contando a Igreja local com o apoio da Fundação AIS na ajuda humanitária, no acompanhamento psicossocial e na reconstrução de infraestruturas.
OC