Dmitry A. Mottl / Wikipedia

Antonov An-28 no aeroporto de Gostomel, Ucrânia

As forças armadas ucranianas continuam a inovar — a única forma de fazer frente ao massivo destacamento militar que os russos levaram para a guerra. Desta vez, um avião herdado da antiga União Soviética foi transformado num lançador de intercetores de drones.

As “donas de casa ucranianas” continuam a lançar a suas toscas inovações “feitas de legos”, que têm ajudado a equilibrar as forças no campo de batalha.

Desta vez, a Ucrânia recuperou uma técnica soviética e transformou-a numa estratégia inovadora contra os drones russos, utilizando o avião Antonov An-28 como plataforma aérea para lançar intercetores. Esta adaptação redefine o combate aéreo moderno com soluções mais económicas e flexíveis.

Segundo o Business Insider, longe de se tratar de uma invenção completamente nova, a origem desta tática remonta à doutrina improvisada da antiga URSS, onde aeronaves não concebidas para o combate eram adaptadas no terreno.

Agora, em pleno conflito, a Ucrânia reinterpretou essa abordagem com uma reviravolta tecnológica determinante.

O protagonista é o Antonov An-28, um avião de transporte ligeiro que deixou para trás a sua função logística para se converter num sistema ofensivo híbrido.

Equipado sob as asas com drones intercetores como o P1-Sun ou o AS-3 Surveyor, atua como um autêntico “porta-drones” no ar.

Esta mudança representa um salto significativo em relação às táticas iniciais, quando as tripulações usavam metralhadoras a partir da aeronave para abater alvos. Embora rudimentar, essa técnica obteve resultados, mas a integração de drones multiplicou a eficácia e o alcance operacional.

A chave desta evolução reside em converter o avião num multiplicador de força. Em vez de depender unicamente de armamento convencional, o An-28 lança drones que atuam como mísseis de baixo custo, capazes de perseguir e neutralizar alvos com maior precisão.

Além disso, lançar estes dispositivos a partir de altitude e velocidade reduz o tempo de reação e melhora a probabilidade de interceção. Esta vantagem tática revela-se especialmente relevante face à crescente produção de drones por parte da Rússia, que opera com um volume massivo.

Outro fator determinante é o económico. Enquanto alguns sistemas ofensivos tradicionais implicam custos elevados, os drones intercetores ucranianos representam uma alternativa muito mais acessível. Esta diferença permite sustentar operações prolongadas sem comprometer recursos estratégicos.

A utilização do Antonov An-28 traz também flexibilidade operacional. A sua capacidade para descolar em pistas curtas e operar em diferentes ambientes torna-o numa ferramenta adaptável, capaz de patrulhar zonas críticas e responder com rapidez perante ameaças emergentes.

O conceito de lançar drones a partir de plataformas aéreas abre um cenário em que a superioridade aérea já não depende apenas da tecnologia mais avançada, mas sim da combinação eficiente de sistemas simples, escaláveis e eficazes.


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