NASA SVS

A força gravitacional mútua faz com que os planetas orbitem um ponto comum no Espaço, conhecido como baricentro, e não o Sol diretamente.
Durante séculos, a imagem dos planetas a orbitar o Sol de forma organizada foi fundamental para a nossa compreensão do Sistema Solar. Mas os cientistas afirmam que esta imagem, embora útil, não é totalmente precisa, sobretudo no que diz respeito a Júpiter.
A história começa com Galileu Galilei, que em 1610 usou um telescópio para observar luas em órbita de Júpiter. A sua descoberta desafiou a antiga ideia de que tudo girava em torno da Terra e ajudou a abrir caminho para o modelo heliocêntrico do Sistema Solar.
No entanto, a física moderna refinou ainda mais a nossa compreensão. De acordo com os investigadores, os planetas não orbitam o Sol diretamente. Em vez disso, movem-se em torno de um ponto comum no Espaço, conhecido como baricentro, que se refere ao centro de massa comum entre dois ou mais objetos.
Na maioria dos casos, este baricentro localiza-se no interior do Sol devido à sua enorme massa, que representa cerca de 99,86% do Sistema Solar, explica o IFLS.
Mas Júpiter, o maior planeta, complica este cenário. Com mais do dobro da massa de todos os outros planetas juntos, Júpiter exerce uma força gravitacional tão grande que desloca o baricentro entre ele e o Sol para um ponto logo para além da superfície solar.
Como explica a NASA, isto significa que tanto Júpiter como o Sol orbitam este ponto comum, em vez de Júpiter simplesmente orbitar o Sol. “Quando se tem esta massa, não se orbita o próprio Sol“, observa a agência.
O mesmo princípio se aplica a todo o Sistema Solar. Até a Terra e a Lua orbitam um baricentro localizado a cerca de 5000 quilómetros do centro da Terra, em vez de a Lua orbitar a Terra sozinha. Da mesma forma, o planeta anão Plutão e as suas luas também giram em torno de centros de massa partilhados.
Para além dos pares individuais, todo o Sistema Solar tem o seu próprio baricentro, influenciado principalmente pela força gravitacional de Júpiter e Saturno. Este ponto central desloca-se ao longo do tempo e, muitas vezes, localiza-se fora do Sol.
Na sua essência, o Sistema Solar não é um conjunto de objetos que orbitam um Sol fixo, mas uma dança gravitacional em constante mudança na qual nem o próprio Sol permanece perfeitamente imóvel.