Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a guerra no Médio Oriente
O antigo comandante da Guarda Revolucionária e atual conselheiro militar do novo Líder Supremo, Mohsen Rezaee, elevou a retórica contra a presença norte-americana no Médio Oriente, comparando as forças de Washington a “piratas”. Numa mensagem publicada no X, Rezaee alertou que o Estreito de Ormuz poderá transformar-se num “cemitério” para as tropas e navios dos Estados Unidos caso a tensão continue a escalar.
“Os EUA são os únicos piratas do mundo que possuem porta-aviões. A nossa capacidade de confrontar piratas não é menor do que a nossa capacidade de afundar navios de guerra”, atirou o responsável. Rezaee foi ainda mais longe ao evocar episódios passados, instando Washington a preparar-se para um desfecho fatal: “Preparem-se para enfrentar um cemitério dos vossos porta-aviões e forças, tal como os destroços dos vossos aviões foram deixados para trás em Isfahan”.
The U.S. is the only pirate in the world that possesses aircraft carriers. Our ability to confront pirates is no less than our ability to sink warships.
Prepare to face a graveyard of your carriers and forces, just as the wreckage of your aircraft was left behind in Isfahan.— محسن رضایی (@ir_rezaee) May 3, 2026
Esta ofensiva retórica surge em sintonia com os últimos avisos dos serviços de informações da Guarda Revolucionária (IRGC), que sustentam que a margem de manobra de Donald Trump se “estreitou” de tal forma que o Presidente dos EUA se encontra agora perante uma escolha decisiva: uma guerra “impossível” ou um “mau acordo” com Teerão. “Só há uma maneira de interpretar isto: Trump precisa escolher entre uma operação militar impossível ou um mau acordo com a República Islâmica do Irão”, consta do comunicado citado pela Al Jazeera.
A par das ameaças de confronto direto, o serviço secreto do regime iraniano confirmou ter estabelecido um prazo — cuja data permanece desconhecida — para que os Estados Unidos encerrem o bloqueio naval aos portos do país. Para Teerão, este ultimato, reforçado por uma alegada mudança de postura da China, Rússia e de alguns países europeus, isola Washington e limita as suas opções de intervenção.
Apesar do tom ameaçador, o Irão mantém a porta entreaberta no tabuleiro diplomático, ainda que sob condições estritas. O embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, afirmou neste domingo que qualquer avanço nas conversações entre Washington e Teerão depende exclusivamente de uma “mudança de comportamento” por parte dos Estados Unidos.
Em declarações à agência IRNA, o diplomata assegurou que o Irão mantém o seu compromisso com a diplomacia, mas acusou os norte-americanos de manterem uma postura “instável” perante a abordagem “lógica e clara” de Teerão. Moghadam confirmou ainda que o Paquistão mantém o seu papel de mediação no processo negocial. “Se os americanos procuram um avanço nas negociações, têm de mudar o seu comportamento”, reiterou o diplomata em Islamabad, reafirmando que o ónus do próximo passo cabe agora à Casa Branca.
[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]

Miguel Feraso Cabral