Cultura

O escritor Afonso Reis Cabral, distinguido com o Prémio Literário José Saramago em 2019, embarcou num novo projeto fora do comum, mantendo a linha de experiências pouco convencionais que têm marcado o seu percurso.

Afonso Reis Cabral, vencedor do Prémio Saramago em 2019, está a viver numa antiga loja de sapatos no Colombo

Instagram @afonsoreiscabral

Depois de, ainda adolescente, ter viajado de camião até à Alemanha em busca de inspiração, e mais tarde de ter percorrido mais de 700 quilómetros a pé para escrever o livro ‘Leva-me Contigo – Portugal a pé pela Estrada Nacional 2’, o autor de 36 anos decidiu agora instalar-se, durante uma semana, numa antiga loja de sapatos, situada no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

Afonso, que é trineto do escritor Eça de Queirós, anunciou a iniciativa nas redes sociais, revelando que se mudou para o espaço comercial no início da semana, de mala na mão. A proposta foi aceite pela administração do Colombo, permitindo ao escritor viver ali temporariamente no âmbito de uma nova “residência literária”.

“Estou a viver no Colombo desde segunda-feira. A administração do Colombo teve a ousadia de aceitar este meu desafio. Agradeço-lhes receberem-me generosamente de portas abertas”, começou por revelar Afonso Reis Cabral nas suas redes sociais.

Desta experiência deverá nascer um novo livro, integrado na coleção ‘Retratos’ da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Instalado no centro comercial lisboeta, Afonso Reis Cabral descreve-se como um “autóctone” numa espécie de cidade paralela. Fascinado há muito por estes espaços, vê no fluxo diário de milhares de pessoas uma fonte inesgotável de histórias.

“Sinto-me o único verdadeiro autóctone desta cidade dentro da cidade. Os centros comerciais sempre me fascinaram: pelo Colombo passam milhares de pessoas por dia. Tanta gente, tanta humanidade, só pode resultar em boas histórias. Estou a descobrir o funcionamento desta cidade, quem a visita, quem nela trabalha, quem aqui namora, quem vem espantar a solidão”, rematou.

O objetivo, explica, é observar e compreender quem ali passa: trabalhadores, visitantes, casais ou pessoas que procuram companhia, um retrato humano de um lugar onde, acredita, se vive quase tanto quanto fora dele.