Durante anos, o Dacia Spring conseguiu impor‑se como o eléctrico mais barato do mercado. No entanto, a concorrência tem vindo a crescer — tanto em diversidade de produto como em competitividade —, razão pela qual a marca romena do Grupo Renault decidiu avançar com o seu plano de electrificação. Já há, inclusivamente, data marcada para a apresentação de mais um modelo exclusivamente a bateria que, não se destinando a substituir o Spring, poderá muito bem eclipsá‑lo…
O preço de entrada, inferior a 18.000€, dará uma (grande) ajuda, tal como a adopção da base técnica do Renault Twingo E‑Tech Electric. Será já na próxima edição do Salão de Paris, em Outubro, que ficaremos a conhecer o novo citadino eléctrico da Dacia. Com ares de crossover, não é de descartar que este modelo resulte de uma evolução do concept Hipster, protótipo revelado no ano passado e que obteve uma recepção muito positiva, graças às suas linhas que evocam um mini “jipinho”, aliadas a um habitáculo funcional, com soluções criativas e um bom aproveitamento do espaço.
Hipster pode gerar um mini eléctrico por 15.000€. Será que avança?
Recorde‑se que o Hipster anunciava 3 metros de comprimento e 2,15 m de distância entre eixos, bem como 1,550 m de largura e 1,535 m de altura. Valores que o tornam 73 cm mais curto do que o Spring, diferença que se reflecte igualmente na distância entre eixos (menos 27 cm). Em largura, o protótipo é apenas 3 cm mais estreito, superando o Spring ligeiramente em altura (mais 1 cm). Ora, aquilo que a imprensa internacional avança é que o novo citadino com o emblema da Dacia deverá ter um comprimento a rondar os 3,8 metros, o que o colocaria praticamente ao nível do Spring (3,73 m), ficando a principal diferença entre ambos a residir na arquitectura utilizada e nos benefícios que esta poderá (eventualmente) trazer.
O interior, com lugar para quatro, e os detalhes mais marcantes do Dacia Hipster Concept
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Ao recorrer à base do Renault Twingo, a chamada RGEV small platform — nativamente pensada para veículos eléctricos —, o novo citadino deverá ser mais eficiente do que o Spring, cuja base técnica é a CMF‑A, plataforma utilizada em modelos como o Renault Kwid ou o Datsun Redi‑GO, que foi originalmente concebida para motores de combustão, sendo mais tarde adaptada para a propulsão eléctrica. Uma arquitectura dedicada para eléctricos é mais apelativa para os clientes, mas também para a marca, que consegue assim reforçar a sua oferta eléctrica com custos controlados, tirando partido das sinergias com o Twingo EV e do efeito de escala. Acresce ainda a vantagem de não ser necessário fazer concessões para integrar a bateria, o que se traduz numa melhor optimização do espaço interior.
Mais do que isso, ao adoptar a RGEV small platform, o novo eléctrico da Dacia poderá evitar as taxas impostas aos veículos fabricados na China — às quais o Spring não está imune —, uma vez que a produção será assegurada na Europa. Em concreto, na fábrica Revoz, em Novo Mesto, na Eslovénia, a mesma unidade industrial responsável pela produção do Twingo E‑Tech Electric. Este é um factor decisivo para que a Dacia consiga manter um preço competitivo e beneficiar plenamente dos incentivos à compra existentes em vários mercados.
A fábrica Revoz, na Eslovénia, é agora o pilar industrial do Grupo Renault no segmento A. A título de curiosidade, o primeiro modelo eléctrico aqui produzido foi o Smart Forfour, em 2016
Com quatro lugares e uma abordagem que deverá estar mais alinhada com os padrões europeus actuais, tanto ao nível da concepção como da produção, o futuro Dacia eléctrico apostará num design distinto, com uma imagem mais robusta e inspirada num pequeno crossover, afastando‑se estrategicamente da linguagem estilística do “mano” Twingo. Ainda assim, e à semelhança deste, deverá recorrer a uma motorização mais racional do que emocional, adequada a uma utilização predominantemente urbana. Quanto à bateria, tudo indica que terá uma capacidade próxima dos 27 kWh, permitindo homologar uma autonomia na ordem dos 250 quilómetros. A confirmar‑se, estes valores superam os do Spring, cuja bateria LFP tem 24,3 kWh de capacidade e uma autonomia homologada até 225 km entre carregamentos.
Este lançamento integra‑se num plano de electrificação mais vasto da Dacia, que prevê a introdução de até quatro modelos eléctricos até ao final da década, sem abdicar do seu posicionamento enquanto marca acessível.