O mês de maio começou sob o signo da instabilidade atmosférica, com a passagem de uma depressão a provocar aguaceiros, trovoadas e uma descida praticamente generalizada das temperaturas em grande parte de Portugal continental. O arranque do quinto mês do ano tem sido marcado por valores térmicos ligeiramente abaixo da média climatológica, reforçando a perceção de que o verão ainda está distante.
As previsões, divulgadas pelo portal especializado Tempo.pt, indicam, contudo, que o atual padrão atmosférico poderá sofrer uma alteração significativa a médio e longo prazo, com o modelo europeu a antecipar o início da “corrida para o calor de verão” já na segunda quinzena de maio.
Primeira quinzena marcada por temperaturas abaixo da média
Maio é o último mês da primavera climatológica, tradicionalmente caracterizado por uma maior frequência de trovoadas e por uma variabilidade atmosférica típica da transição entre estações. Em 2026, essa faceta primaveril deverá manter-se na primeira metade do mês.
De acordo com o modelo europeu, a tendência para temperaturas mais baixas deverá prolongar-se durante toda a primeira quinzena, tanto no Continente como nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Estão previstas anomalias térmicas negativas entre -1 e -3 ºC, o que significa valores entre um e três graus abaixo da normal climatológica de referência.
Na primeira semana de maio, os termómetros deverão registar valores geralmente inferiores à média. Apenas na segunda semana se antecipa uma ligeira atenuação da anomalia negativa nos Açores, sobretudo na unidade territorial daquele arquipélago, onde a diferença poderá aproximar-se de -1 ºC.
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Este cenário enquadra-se num padrão ainda instável, em que massas de ar mais ameno não conseguem impor-se de forma consistente. A persistência de circulação atmosférica variável e a dificuldade de instalação de altas pressões robustas contribuem para adiar a chegada de um período plenamente quente.
Subida das temperaturas ganha força a partir de meados do mês
A partir de meados de maio, os mapas do modelo europeu evidenciam uma mudança clara no padrão atmosférico. O cenário instável e fresco deverá dar lugar a uma configuração progressivamente mais estável, associada ao reforço das altas pressões.
Uma situação sinóptica dominada por um anticiclone favorece a subsidência do ar — movimento descendente que inibe a formação de nuvens — aumentando a probabilidade de dias com céu limpo ou pouco nublado. Esta dinâmica potencia também um aquecimento diurno mais eficiente.
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Segundo os cenários projetados, as anomalias térmicas positivas começarão a surgir de forma quase generalizada. Inicialmente discretas, tenderão a expandir-se geograficamente e a intensificar-se ao longo da segunda quinzena.
No Continente, a subida das temperaturas deverá ser particularmente expressiva nas regiões do interior. A Beira Baixa e o Alto Alentejo destacam-se, para já, como as zonas onde poderão ocorrer anomalias positivas mais acentuadas, entre +1 e +3 ºC acima da média habitual. Estes valores aproximam-se já de um padrão típico do final da primavera avançada ou mesmo do início do verão.
Ilhas podem manter tendência mais fresca
O cenário previsto não é uniforme em todo o território nacional. Na Madeira e no Grupo Oriental dos Açores, os mapas mantêm a indicação de anomalias térmicas negativas em torno de -1 ºC durante grande parte da segunda quinzena de maio.
Tal significa que, no cômputo geral, maio poderá revelar-se um mês mais fresco do que o habitual em boa parte da geografia insular portuguesa. Já nos Grupos Central e Ocidental dos Açores não se identificam tendências térmicas claras para a segunda metade do mês, o que introduz um grau adicional de incerteza na previsão para essas áreas.
Anticiclone poderá dificultar chegada de depressões
Os mapas de pressão atmosférica reforçam o cenário de aquecimento progressivo no Continente, com indicação de geopotenciais mais elevados e de um padrão anticiclónico mais robusto à latitude de Portugal.
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Esta configuração tornará mais difícil a entrada de depressões, bolsas de ar frio ou frentes atlânticas organizadas, reduzindo a instabilidade e favorecendo a consolidação de tempo mais seco e quente.