A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, reagiu, na noite deste domingo, ao aumento dos preços dos combustíveis e da eletricidade, bem como aos receios de uma possível escassez de combustíveis. A governante considerou que não há motivos para alarme, mas revelou que já existe um plano. 

A ministra do Ambiente do Governo de Luís Montenegro começou por afirmar que “a diminuição dos preços dos combustíveis não nos parece a melhor opção” em termos de ajuda às famílias que precisam ir de carro todos os dias para o trabalho. Em entrevista à SIC, considerou que uma medida deste género não incentiva à “diminuição do consumo de combustível e essa é uma questão importante”.

Desde modo, defendeu que se está a assumir “uma politica de muita prudência face à incerteza económica que estamos a atravessar”.

“Estamos a acompanhar a situação, a fazer o desconto do ISP, e estamos a optar por ajudar os setores. Estamos a ajudar os setores das pescas, dos transportes, da agricultura”, detalhou Maria da Graça Carvalho, defendendo que “a ajuda setorial é mais eficiente que uma ajuda generalizada” e que “quando diminuímos impostos nos combustíveis não é claro que isso tenha uma influência no preço final do combustível”. 

Questionada sobre uma possível escassez de combustível, a governante considerou que esse não lhe parece ser um cenário real, a menos que nos confrontemos que um caso “muito extremo”.

“Não nos parece que vá haver falta de combustível. Temos tido contactos regulares com a refinaria, neste caso a Galp e refinarias espanholas. Neste momento, temos combustível até agosto. Só no fim de agosto é que poderá haver uma pequena redução de jet fuel, o combustível da aviação, que é o mais crítico”, disse.

Apesar de colocar de parte este cenário mais extremo, a ministra assumiu, porém, que “se a situação de agudizar uma das nossas políticas é um grande incentivo a uma maior eletrificação dos transportes, incentivos para o desenvolvimentos dos combustíveis renováveis”.

Maria da Graça afirmou ainda haver um plano já elaborado para situações de crise, e o qual inclui “um conjunto de recomendações tanto para os locais de trabalho como nas residência, no sentido de se poupar ou ser mais eficiente”. Mas, revelou, “não estamos a pensar numa medida obrigatória para já”.

Combustíveis a subir

Recorde-se que esta segunda-feira os combustíveis voltam a ficar (muito) mais caros.

A Comissão Europeia já anunciou que vai criar um Observatório de Combustíveis para acompanhar as reservas na União Europeia (UE) e identificar e atuar rapidamente perante uma eventual escassez.

Um novo Observatório de Combustíveis será criado para acompanhar a produção, importações, exportações e níveis de reservas de combustíveis de transporte na UE. Isto permitirá identificar rapidamente potenciais carências e, em caso de libertação de reservas de emergência, orientar medidas específicas para manter uma distribuição equilibrada de combustíveis”, anunciou o executivo comunitário, em comunicado divulgado em Bruxelas.

A medida consta de um pacote de medidas divulgado pelo executivo comunitário para fazer face à crise energética causada pela guerra na região do Médio Oriente, no âmbito do qual Bruxelas adianta que, “para mitigar o impacto dos preços elevados e possíveis carências no setor da aviação da UE, a Comissão também clarificará as flexibilidades existentes no quadro da aviação europeia”.

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