Apple encerra produção do Mac Mini de US$ 599 e culpa escassez de memóriasCréditos: Divulgação/Apple

A Apple retirou de forma repentina do catálogo a versão de entrada do Mac Mini, configuração que combinava chip M4 com 16GB de memória unificada e 256GB de armazenamento por US$ 599 (R$ 2.965 na cotação atual de R$ 4,95, sem considerar impostos brasileiros e taxas de importação).

A mudança foi confirmada na semana passada e remove do ar o desktop mais barato já vendido pela fabricante.

A versão que assumiu o posto de modelo básico parte de US$ 799 (cerca de R$ 3.955), mantém o mesmo chip e memória, mas dobra o armazenamento para 512GB. A diferença real para quem compra é de US$ 200, ou 33% a mais para entrar na linha de computadores da Apple.

A justificativa não envolve refresh de produto, mas sim a maior alta de preços de DRAM já registrada e o redirecionamento massivo de capacidade de fábrica para data centers de inteligência artificial.

No Brasil, ajuste foi ainda mais sentido

A configuração que saiu de catálogo era vendida por R$ 7.499 no site oficial da fabricante. O modelo que passa a ocupar a base da linha custa R$ 9.899, ou R$ 8.909,10 no pagamento à vista com desconto.

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A diferença prática para o comprador brasileiro é de R$ 2.400, percentual quase idêntico ao do reajuste internacional, mas em valor absoluto bem mais salgado. O prazo de entrega também foi afetado: a previsão atual no e-commerce da empresa fica entre cinco e seis semanas, indicativo de que a oferta segue restrita até em mercado secundário.

Outras configurações do Mac Mini no Brasil seguiram inalteradas: o modelo com 24GB de RAM e 512GB de SSD continua a R$ 12.299, e a versão topo de linha com chip M4 Pro permanece em R$ 16.999.

Configuração (Mac Mini, M4)Preço anterior (BR)Preço atual (BR) 16GB RAM / 256GB SSD R$ 7.499 descontinuado 16GB RAM / 512GB SSD R$ 9.899 R$ 9.899 (novo modelo de entrada) 24GB RAM / 512GB SSD R$ 12.299 R$ 12.299 M4 Pro / 24GB RAM / 512GB SSD R$ 16.999 R$ 16.999

DRAM em alta histórica por causa da IA

Os preços de contrato de DRAM subiram cerca de 90% no primeiro trimestre de 2026 ante o último trimestre de 2025, segundo dados da consultoria TrendForce. A memória dedicada a PC subiu mais de 100% no mesmo intervalo, o maior reajuste trimestral já mapeado pela empresa.

A causa é estrutural. Samsung, SK Hynix e Micron, responsáveis por praticamente toda a fabricação global de DRAM, redirecionaram capacidade para a HBM (High Bandwidth Memory), tipo de chip usado em aceleradores de IA.

A HBM hoje consome 23% da produção total de wafers, contra 19% no ano passado, e cada bit fabricado consome cerca de três vezes mais capacidade física do que um bit de DDR5 convencional.

Cada servidor de IA que entra em operação subtrai memória do estoque disponível para notebooks, desktops, tablets e celulares. A previsão da TrendForce é de alta de 70% na demanda por HBM em 2026, puxada principalmente pelos próximos aceleradores da NVIDIA e pela infraestrutura de IA construída por Google, Microsoft, Amazon, Meta e Oracle.

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Em conferência recente com investidores, Tim Cook abordou diretamente o problema:

“Mac Mini e Mac Studio podem levar vários meses até equilibrar oferta e demanda.”

A fala antecedeu a remoção do modelo de entrada e ajuda a entender a leitura interna da empresa sobre o ritmo de normalização dos estoques.

Mac Studio também perdeu configurações

A pressão sobre a memória atingiu produtos profissionais da fabricante. A opção de upgrade para 512GB de RAM no Mac Studio foi removida do configurador. Já o salto entre 96GB e 256GB de RAM nesse mesmo modelo passou de US$ 1.600 para US$ 2.000 (cerca de R$ 9.900), reajuste de 25%.

O movimento converge com outras decisões recentes. A Apple já havia subido o preço de entrada do MacBook Air e do MacBook Pro nos últimos meses, e Cook deixou claro a investidores que as restrições de fornecimento devem afetar a maior parte dos modelos de Mac a partir de junho.

A leitura é que a empresa decidiu encolher portfólio antes de degradar especificações ou comprimir margem em produtos com lucratividade já reduzida.

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PCs e celulares podem subir até 20% ainda em 2026

A consultoria IDC projeta que computadores, tablets e smartphones devem ficar entre 10% e 20% mais caros até o fim do ano por conta dos custos de componentes.

A própria IDC projeta retração de 11,3% no mercado global de PCs em 2026, com o argumento de que os preços médios já passaram do que parte do consumidor está disposta a pagar.

A TrendForce trabalha com cálculo ainda mais agressivo no atacado. Um notebook de US$ 900 (R$ 4.455) pode ter sua estrutura de custos elevada em quase 40% somando memória e processador, ainda que parte disso seja absorvida pelas próprias fabricantes para preservar volume de venda.

Os concorrentes diretos da fabricante de Cupertino aparecem mais expostos. Dell, HP e Lenovo enfrentam o mesmo aumento de DRAM sem a mesma margem ou poder de barganha que a Apple.

Se a Maçã foi obrigada a tirar do ar a configuração mais acessível do Mac Mini, é razoável imaginar que o resto da indústria ainda não chegou na pior parte do reajuste.

Fonte(s): Apple, The Next Web e TrendForce