Cerca de 8 mil pessoas continuam na rave Le Teknival, no centro de França, perto da qual foram encontradas duas munições enterradas e não detonadas, provavelmente da Segunda Guerra Mundial, revelaram as autoridades francesas, à AFP.

A rave, que se realiza desde 1 de Maio nas proximidades de Bourges (a cerca de 230 quilómetros a sul de Paris), chegou a acolher até 20 mil participantes, provenientes de vários países da Europa, sob a vigilância de cerca de 600 polícias franceses.

“O evento decorre num terreno militar, um local proibido, inadequado e perigoso. O perigo foi confirmado pela descoberta de um projéctil ontem [sábado] e de um fragmento de granada este domingo, 03 de Maio, que foram recolhidos pelo serviço de desactivação de explosivos”, indicou a prefeitura do Cher.




O ministro do Interior francês, Laurent Nunez, chega à rave que decorre desde 1 de Maio, sem incidentes graves.
KENZO TRIBOUILLARD / POOL

Trata-se de uma das maiores festas clandestinas em França nos últimos anos. Foram detidas seis pessoas — das quais cinco permaneceram sob custódia policial — acusadas de ignorar os controlos policiais e de agressões contra as autoridades, foram neutralizados 15 ‘drones’ civis e apreendidas 57 armas. Todas as saídas estão bloqueadas e a polícia está a multar todos os participantes à saída.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, natural daquela cidade, já tinha avisado que os participantes seriam sancionados, à medida que fossem abandonando a festa, por dois motivos: a “entrada em terreno militar, sendo isso proibido, e por desafiarem um decreto de proibição de uma concentração musical”.

A realização do Le Teknival ocorre em pleno processo legislativo em França para aprovar um endurecimento da lei com o objectivo de evitar este tipo de reuniões clandestinas.

A norma, que já foi aprovada em Abril na Assembleia Nacional francesa e que ainda deve passar pelo Senado, prevê até seis meses de prisão e 30 mil euros de multa para as pessoas envolvidas directa ou indirectamente na organização.

Foram precisamente os organizadores do Le Teknival que admitiram ter realizado a festa clandestina num terreno militar como forma de protesto contra esse projecto de lei que consideram repressivo.