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A Marinha da Guarda Revolucionária do Irão (IRGC) divulgou nesta segunda-feira um mapa do Estreito de Ormuz a demarcar a sua área de operação. A imagem, que foi divulgada pela agência estatal Fars, inclui duas linhas vermelhas. A linha a oeste do estreito situa-se entre a ilha iraniana de Qeshm e a costa dos Emirados Árabes Unidos, a noroeste do Dubai. A outra linha, a sul de Ormuz, encontra-se entre a costa norte de Omã e a costa iraniana. Não foi esclarecido, no entanto, qual era o perímetro anteriormente demarcado, mas o bloqueio agora imposto pelo Irão pode afetar a atividade dos Emirados Árabes Unidos em Ormuz.
A IRGC partilhou a imagem após o Presidente dos Estados Unidos anunciar que o exército norte-americano irá escoltar navios que estão presos no Golfo Pérsico à espera de autorização para navegar por Ormuz. Na sua rede social, Truth Social, Donald Trump publicou um comunicado no domingo sobre as medidas que pretendia executar em Ormuz no dia a seguir. A operação militar foi nomeada como “Projeto Liberdade” [Project Freedom, em inglês] e classificada por Trump como um “gesto humanitário”, que caso fosse impedido, no entanto, “teria de ser combatido com rigor”. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou no X que o objetivo da operação é “restaurar a liberdade de navegação para o transporte marítimo comercial”, com a mobilização de mais de 100 aeronaves, contratorpedeiros, drones e 15 mil efetivos militares.
— U.S. Central Command (@CENTCOM) May 3, 2026
Em resposta à proposta do líder norte-americano, a IRGC reafirmou que o Estreito de Ormuz está sob o seu controlo e que vai responder de forma “muito dura e lamentável a qualquer ameaça e agressão” dos EUA. “Avisamos a todas as forças armadas estrangeiras, particularmente o exército invasor norte-americano, de que, caso pretendam aproximar-se e entrar no Estreito de Ormuz, serão sujeitas a ataque”, disseram as Forças Armadas do Irão, segundo a agência de notícia Fars, daquele país. À mesma agência, o porta-voz da IRGC ameaçou intercetar à força as “movimentações marítimas contrárias àquelas determinadas pelo Irão”.
Ainda nesta segunda-feira, no entanto, o CENTCOM afirmou numa publicação no X que dois navios mercantes com bandeira norte-americana “atravessaram com sucesso o Estreito de Ormuz e seguem viagem em segurança”.
U.S. Navy guided-missile destroyers are currently operating in the Arabian Gulf after transiting the Strait of Hormuz in support of Project Freedom. American forces are actively assisting efforts to restore transit for commercial shipping. As a first step, 2 U.S.-flagged merchant… pic.twitter.com/SVDxDhK72I
— U.S. Central Command (@CENTCOM) May 4, 2026
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, descartou qualquer negociação sobre a questão nuclear com os norte-americanos. “Estamos preparados para qualquer cenário“, disse Araghchi aos jornalistas nesta segunda-feira, ao admitir que as condições de negociação mudaram porque “o mundo vê o Irão agora como uma importante potência“, e que o Estreito “não regressará às suas condições anteriores”, com “embarcações hostis” sendo impedidas de navegar na via marítima.
Nas últimas 24 horas, dois navios foram atacados ao tentar acessar o estreito. No domingo, um petroleiro de bandeira não identificada foi atingido “por um projétil desconhecido”, segundo a agência britânica de Operações Marítimas Comerciais (UKMTO). No mesmo dia, várias embarcações de pequeno porte atacaram um navio mercante que navegava ao largo da costa da cidade de Sirik, no sudoeste do Irão e a caminho do norte de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irão afirmou nesta segunda-feira aos meios de comunicação social daquele país que atingiu com dois mísseis um navio de guerra norte-americano, informação que foi negada pelo CENTCOM numa publicação no X.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão anunciou nesta segunda-feira que os EUA haviam enviado 22 tripulantes da embarcação iraniana “MV Touska” — que havia sido apreendida pelos norte-americanos a 19 de abril — para o Paquistão. Os detidos regressaram esta segunda-feira a Teerão e o barco foi transferido para águas paquistanesas para ser devolvido ao seu proprietário, afirmou o CENTCOM.
اولین تصاویر از خدمه آزادشده کشتی توسکا https://t.co/C8YcY93HqG pic.twitter.com/FwSJ1PU6zX
— خبرگزاری فارس (@FarsNews_Agency) May 4, 2026
O chefe da diplomacia paquistanesa classificou a ação norte-americana como uma “medida de confiança”. No seu perfil no X, Ishaq Dar expressou o seu “apreço aos Estados Unidos e ao Irão, de forma a permanecer comprometido para facilitar o diálogo, a diplomacia e a mediação para a paz e a segurança regional”. O Paquistão atua neste momento como um intermediário nas conversações entre os Estados Unidos e o Irão.
Pleased to announce that twenty-two crew members from the seized Iranian container vessel, “MV Touska”, have been safely evacuated to Pakistan.
The individuals were safely flown in Pakistan last night and will be transferred to Iran today. The Iranian ship is also being…
— Ishaq Dar (@MIshaqDar50) May 4, 2026
Na conferência de imprensa nesta segunda-feira realizada, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que o país está a “analisar a contraproposta dos EUA” ao plano de 14 pontos apresentados por Teerão para encerrar a guerra. “A mensagem dos EUA foi recebida através do Paquistão. Não irei divulgar detalhes sobre o texto neste momento, pois tal está sob análise”, disse Esmail Baghaei aos jornalistas nesta segunda-feira, segundo a AlJazeera. O porta-voz do Irão considerou que a proposta “não é fácil de analisar”, pois os EUA “têm como prática fazer exigências excessivas e irracionais“.