“O porto de escala mais adequado será decidido com base nos dados epidemiológicos recolhidos a bordo do navio durante a passagem por Cabo Verde. Até lá, o Ministério da Saúde não tomará qualquer decisão”, acrescenta em comunicado na rede social X.
En función de los datos epidemiológicos que se recojan del barco en su paso por Cabo Verde se decidirá qué escala es más pertinente. Hasta entonces, el Ministerio de Sanidad no adoptará ninguna decisión, como así hemos hecho saber a la Organización Mundial de la Salud.
— Ministerio de Sanidad (@sanidadgob) May 5, 2026
Espanha contraria, desta forma, as informações avançadas anteriormente pela OMS.
“O plano atual é que o navio continue a viagem até às Canárias”. As autoridades espanholas indicaram que vão receber o navio “para realizar uma investigação completa (…) e, claro, avaliar os riscos para os passageiros a bordo”, tinha dito esta manhã aos jornalistas Maria Van Kerkhove, diretora interina do Departamento de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, em Genebra.
Afinal, o destino do navio de cruzeiro continua incerto. Equipas do Ministério da Saúde espanhol e da Organização Mundial da Saúde estiveram reunidas e, de acordo com o governo espanhol, ficou decidido que será feita uma nova avaliação epidemiológica antes de ser tomada uma decisão.
Por seu lado, o presidente do governo áutonomo das Canárias, Fernando Clavijo, mostra-se pouco interessado em acolher o navio. Em entrevista à RTVE, defende que é preferível o barco deve ficar onde está.
#Canal24Horas | Fernando Clavijo, presidente de Canarias, sobre el hantavirus: “Entendemos que donde está el barco, donde se ha detectado, es donde se tiene que atender. A partir de ahí, si la OMS quiere aplicar otra cosa tendrá que justificarlo” pic.twitter.com/liH0a43N7I
— RTVE Noticias (@rtvenoticias) May 5, 2026
Nesta terça-feirra a OMS voltou a sublinhar que o risco é baixo para as pessoas em geral. “Este não é um vírus que se propaga como a gripe ou a COVID-19. É muito diferente”, acrescentou Kerkhove.
De acordo com o último balanço da OMS, dois casos de hantavírus estão confirmados e outros cinco são considerados suspeitos entre as pessoas que adoeceram no navio de cruzeiro com bandeira holandesa que continua sem desembarcar os passageiros. Três pessoas morreram.

As três vítimas mortais eram um casal holandês e um cidadão alemão, enquanto um cidadão britânico foi evacuado do navio e está internado numa unidade de cuidados intensivos na África do Sul.
Cerca de 150 pessoas continuam estão retidas no Hondius, que transporta passageiros, na maioria britânicos, americanos e espanhóis, num cruzeiro de luxo que partiu do extremo sul da Argentina no final de março. Há um cidadão português entre os tripulantes.
O cruzeiro visitou a península Antártica, a Geórgia do Sul e Tristão da Cunha – algumas das ilhas mais remotas do planeta.
Como medida de precaução, os passageiros foram instruídos para permanecerem nas respetivas cabines sempre que possível, disse ainda a OMS, acrescentando que o período de incubação pode durar várias semanas, o que significa que algumas pessoas podem ainda não apresentar sintomas.
Estão em curso investigações epidemiológicas para determinar a origem do surto.
A OMS acrescentou que, embora incomum, a transmissão limitada de pessoa para pessoa do vírus dos Andes, uma espécie de hantavírus encontrada na Argentina e no Chile, “foi relatada em ambientes comunitários envolvendo contacto próximo e prolongado”.
Os dois holandeses que morreram, um casal, tinham viajado pela América do Sul, passando pela Argentina, antes de embarcarem no navio de cruzeiro.
A OMS admitiu esta terça-feira que suspeita que tenha havido transmissão de pessoa a pessoa entre os infetados com hantavírus e que a infeção tenha ocorrido fora do navio.
“Considerando o período de incubação do hantavírus, que pode variar de uma a seis semanas, presumimos que a infeção tenha ocorrido fora do navio”, e “acreditamos que possa ter havido transmissão de pessoa a pessoa entre aqueles que tiveram contacto muito próximo”, adiantou a diretora interina do Departamento de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS.