O Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, recebeu a noite mais importante do mundo da moda. Sob o tema “Moda é Arte”, pela passadeira da gala de angariação de fundos passaram designers, artistas e algumas das mais influentes personalidades. No corpo, escolhas irreverentes, ousadas, criativas e mergulhadas em referências. Cá fora, o ambiente era outro. Vários ativistas protestavam contra Jeff Bezos e contra o evento.

DANIEL COLE
Na escadaria mais icónica da moda, desta vez foi a vida quem imitou a arte.
A edição deste ano girou em torno do tema “Costume Art“, uma proposta que pretendeu colocar a moda como uma expressão artística equivalente às artes clássicas. Esta ideia estendeu-se ao dresscode da noite, “Moda é Arte”.
Como sempre, houve quem ‘honrasse’ a proposta e quem preferisse optar pelo preto e não se comprometer ou pelo fato clássico e não dar tanto nas vistas.
A arte em desfile
Seguindo o dresscode, houve quem se transformasse numa verdadeira tela.
De branco e de olhos ‘vendados’, Rachel Zegler, catapultada pela interpretação da mais recente versão de “Branca de Neve”, trouxe vestida a grande referência a “The Execution of Lady Jane Grey”, obra do pintor francês Paul Delaroche.
Hunter Schafer, de Prada dos pés à cabeça, inspirou-se também no mundo da pintura. De laço no cabelo, a atriz norte-americana tornou-se na “Mada Primavesi” do mestre austríaco Gustav Klimt.
Gracie Abrams também se inspirou em Klimt e, de Chanel, incorporou o icónico “Beijo“.
De Saint Laurent, Madonna parou e ‘ocupou’ verdadeiramente as escadas da noite. Com cinco ajudantes, uma em cada ponta do grande véu, a artista surpreendeu com a referência a “The Temptation of St. Anthony Fragment II”, canva da surrealista Leonora Carrington.
Ainda nas telas, a estrela da ‘pop’ Charli XCX, também de Saint Laurent, brindou o clássico vestido preto com uma das muitas flores de Van Gogh. Já Claire Foy, de Erdem, era facilmente confundida com a Madame X de John Singer Sergeant.
As irmãs Kim e Kendall, presença assíduo no Met Gala, aproveitaram a oportunidade e também trouxeram referências. Com GAP Studio, Kendall Jenner foi ‘esculpida’ a dedo para fazer lembrar “Vitória de Samotrácia”, famosa escultura grega em mármore do século II, representando a deusa da vitória, Nike, pousada na proa de um navio.
Já Kim Kardashian deu as mãos a Allen Jones e Whitaker Malem e trouxe um vestido com efeito metalizado e futurista.
Para além de tudo isto, várias peças e pormenores fizeram referência ao conhecido “azul Klein”, cor criada pelo artista francês Yves Klein em 1960.
Mais alguns ‘looks’ que marcaram a noite
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Como referências ‘honrosas’, as caras tapadas foram igualmente destaques da noite.
Katy Perry, de Stella McCartney, Gwendoline Christie, de Giles Deacon, Yseult, em Harris Reed e Sarah Paulson, vestida por Matières Fécales, foram algumas das personalidades que escolheram vir de olhos escondidos e dar que falar pela irreverência.
Ora quem não se ficou apenas pelos acessórios foi Bad Bunny. À primeira vista irreconhecível, o cantor porto-riquenho apareceu de bengala, cabelo grisalho e numa autêntica versão ‘mais velha’.
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“O Met é a oportunidade perfeita para nos expressarmo-nos de uma maneira diferente”, explicou o cantor, em entrevista à Vogue.
A atriz e modelo alemã Heidi Klum já está habituada a surpreender com os seus visuais impressionantes de Halloween. No Met, manteve a faísca alta e chegou à gala transformada numa estátua de mármore.
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Protestos contra Jeff Bezos
Fora da gala, as ruas encheram-se de protestos contra a realização do evento e contra Jeff Bezos e Lauren Sámchez, os principais patrocinadores da gala e da exposição do Costume Institute e os escolhidos anfitriões honorários.
Os manifestantes criticaram o empresário e acusaram-no de comprar influência. Os protestos ganharam intensidade tal que um dos manifestantes esteve muito perto de invadir a escadaria do Met.
Também longe da entrada do museu tiveram lugar outros protestos, com manifestantes reunidos e com cartazes: “bilionários por um planeta morto”, “tributar os ricos” e “com os bilionários no poder, o presidente dos EUA é um pedófilo, violador e traidor“, lia-se em alguns.
De acordo com o New York Times, antes do evento, ativistas do grupo Everyone Hates Elon deixaram 300 garrafas de urina falsa no museu — uma referência a relatos de funcionários da Amazon que tiveram de fazer as suas necessidades em garrafas de água enquanto estavam a trabalhar.