Conta Luís que os reclusos propuseram fazer as obras necessárias, desde que lhes fornecessem os materiais, mas a resposta foi “seria uma boa medida mas não pode ser por falta de guardas, e porque o orçamento não chega.”

À degradação material da prisão acrescem, relataram  os reclusos ao DN, faltas de luz e de água e os horários muito limitados do bar/cantina, assim como a exiguidade dos produtos ali à venda e a avaria de vários aparelhos (microondas, máquina de café e forno). Uma das promessas que resultou da reunião, contam ao jornal, foi justamente a de melhor abastecimento do bar: “Disseram que vão abastecê-lo todas as semanas, assim, quando temos o cartão carregado com dinheiro, o que só sucede de 15 em 15 dias [de cada vez que as famílias carregam os cartões, explicam, o montante só fica disponível passadas duas semanas], podemos ir lá comprar aquilo de que precisamos.” E precisam de muita coisa, queixam-se: “Sabe que o EPL só dá um rolo de papel higiénico por recluso a cada 15 dias? Acha possível? Muitas vezes temos de lavar as partes íntimas na sanita, não há outra hipótese.”

A outra conquista saída do encontro é poderem trocar de cela mais facilmente: “Disseram que iam facilitar isso, porque até agora se não nos dermos bem com o companheiro de cela não nos permitem mudar, só se andarmos à pancada é que fazem alguma coisa.

Mas na lista que levavam havia muito mais: da falta de cuidados médicos (reconhecida no último relatório do MNP) ao “atraso na chamada dos reclusos para as visitas” (ou seja, estas ficam muito tempo à espera sem que os presos saibam que já chegaram) e à falta de acesso a visitas íntimas para os condenados, passando pela “comida mal confeccionada”. A falta de guardas foi outra das razões do protesto, pois leva a que, segundo a informação comunicada ao DN, não seja aberto o pátio e haja atrasos na abertura e fecho das portas. Também a deficiente comunicação com os guardas, sobretudo no que respeita à respetiva greve, e à alteração que dela advém nas normas de funcionamento da penitenciária, é razão de queixa.

O DN contactou o ministério da Justiça para tentar confirmar a existência de uma reunião com os reclusos, assim como para saber o motivo da mesma, mas a resposta, enviada ao jornal às 14H54, quando, de acordo com o relatado pelos presos, a reunião já estava a decorrer, foi: “O senhor Diretor Geral não foi, não vai, nem nunca esteve previsto ir ao EP de Lisboa reunir-se com reclusos.” Contactada pela Lusa, também a DGRSP negou que o diretor-geral, Orlando Carvalho tenha estado no EPL para falar com reclusos: “Informa-se que o diretor-geral não se deslocou ao Estabelecimento Prisional de Lisboa para conversar com os reclusos, nem tal propósito esteve em equação”. A DGRSP confirmou porém à agência a existência do protesto do qual o DN dera conta em primeira mão, adiantando que este envolvera “sensivelmente metade dos reclusos da ala B” do EPL.