Os data centers surgem como uma das principais apostas deste Governo. O ministro Pinto Luz revelou que existem mais de três dezenas de projetos em pipeline e que o Executivo está a criar “fast tracks” para acelerar este tipo de investimento, nomeadamente através da definição de zonas com elevada disponibilidade energética.

O Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, defendeu esta terça-feira uma estratégia integrada para posicionar Portugal como destino de investimento tecnológico, sublinhando a importância da previsibilidade regulatória, do talento e das infraestruturas digitais durante a apresentação do Centro de Excelência para a Inovação da Mastercard, em Lisboa.

Na sua intervenção, o governante destacou que a escolha de Portugal por parte da tecnológica resulta de um “conjunto de fatores” que vão desde a qualificação dos recursos humanos ao conhecimento instalado, passando pela atratividade do território e pela articulação entre poder local e central. Como exemplo do ecossistema nacional, referiu a Critical TechWorks, que desenvolve em Lisboa soluções avançadas para condução autónoma e sistemas de bordo.

“Até à semana passada, não era possível testarmos condução autónoma em Portugal”, frisou.

Segundo o ministro, estas mudanças são essenciais para garantir que empresas internacionais mantenham e expandam operações em Portugal.

Miguel Pinto Luz alertou, no entanto, que a capacidade de atrair investimento depende da adaptação do quadro legislativo à inovação, adiantando que o Governo tem vindo a introduzir alterações para permitir testes e desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo projetos de drones para entregas de última milha e a criação de “sandboxes” regulatórias na área da inteligência artificial.

“A Fundação Champalimaud já utiliza drones nos seus dois campus”, revelou também.

Miguel Pinto Luz citou ainda a candidatura ibérica à captação de uma das cinco gigafábricas de inteligência artificial (IA) da Comissão Europeia prevê “metade em Portugal e metade em Espanha”, mantendo Sines como a localização principal do lado português. “Estamos a liderar a agenda, nomeadamente na nossa candidatura à Gigafactory Europeia, portanto uma parceria 50-50 com o Estado espanhol”, disse. Portugal quer estar na linha da frente para acolher uma das primeiras grandes fábricas de baterias ou componentes tecnológicos (Gigafactories) na Europa e para isso, o país não pode competir apenas com subsídios, mas sim com infraestrutura e agilidade, defende o Ministro.

O governante apontou ainda o reforço das infraestruturas como pilar central da estratégia. “O maior centro de inovação na Europa de fibra óptica e de cabos submarinos é no Metro de Lisboa”, disse. Desta forma destacou o papel do Metro de Lisboa como plataforma de testes para tecnologias de transmissão de dados de alto débito, bem como o investimento em cabos submarinos, incluindo o novo sistema que ligará o continente aos Açores e à Madeira em parceria com a Alcatel Submarine Networks.

“Estamos a direcionar e a criar fast tracks para o investimento em data centers”

Neste contexto, os data centers surgem como uma das principais apostas deste Governo. O ministro revelou que existem mais de três dezenas de projetos em pipeline e que o Executivo está a criar “fast tracks” para acelerar este tipo de investimento, nomeadamente através da definição de zonas com elevada disponibilidade energética. “Estamos a direcionar e a criar fast tracks para o investimento em data centers”, disse. Ainda assim, deixou um aviso: Portugal não pretende tornar-se apenas um polo consumidor de energia “sem gerar externalidades positivas para a economia e para as nossas empresas, bem como para o nosso tecido universitário e científico”.

“Portanto, estamos a exigir a quem faz investimento em data centers, a quem faz investimento em gigafactories, que faça investimento na nossa ciência, nas nossas empresas e haja uma capilaridade fina, uma contaminação positiva, uma externalidade positiva a todos esses investimentos”, disse Pinto Luz.

“O objetivo não é ser uma ‘quinta de data centers’ sem retorno para a economia”, afirmou, defendendo que estes investimentos devem gerar externalidades positivas, incluindo ligações ao tecido empresarial, científico e universitário nacional.

Outro dos desafios identificados prende-se com a cobertura de 5G, que ainda não está totalmente implementada no país. Para o ministro, a expansão desta tecnologia é crucial para aplicações industriais, de saúde e de pagamentos digitais, sendo necessária uma maior exigência sobre os operadores de telecomunicações.

Miguel Pinto Luz concluiu sublinhando o papel complementar das autarquias e do Estado central na criação de um ambiente favorável ao investimento. Enquanto os municípios devem assegurar qualidade de vida e condições locais, cabe ao Governo garantir enquadramento legal, infraestruturas e estabilidade para que projetos tecnológicos se consolidem no longo prazo.

A iniciativa da Mastercard, acrescentou, enquadra-se nesta visão de criar um ecossistema de inovação que possa irradiar para diferentes setores, incluindo a mobilidade, onde o Executivo está a desenvolver soluções integradas como o bilhete único nacional, em articulação com plataformas digitais e sistemas de pagamento.