Aqui cozinha-se a lenha e em potes, recuperam-se arrozes de rabo de boi, cabidelas, enchidos, receitas de caça e peixe da época, e dá-se protagonismo ao que vem da horta, do rio e do campo. Há pratos servidos para partilhar, caldos apurados com tempo, carne de raças autóctones, sobremesas de tradição e ementas que mudam ao ritmo da estação. Em comum, uma atenção rigorosa ao produto e uma leitura contemporânea de uma cozinha que continua enraizada, viva e com futuro.
A partir das recomendações do Guia Boa Cama Boa Mesa 2026, reunimos 10 novos restaurantes localizados na região Norte, que assumem esse compromisso com o território e com a identidade da cozinha portuguesa.
Indispensável para quem gosta de dormir bem e comer melhor e essencial para escapadinhas ou roteiros gastronómicos completos, o Guia Boa Cama Boa Mesa 2026, que conta com o apoio do Recheio e da Kia, chegou às bancas no dia 24 de abril, com a seleção dos melhores alojamentos e restaurantes nacionais. Pode reservar o seu exemplar, com desconto e oferta de portes.
Restaurante 5Sentidos
O edifício e a decoração contemporâneos escondem uma casa comprometida com sabores antigos, de conforto, preparados em tachos que chegam descontraidamente à mesa. Enfeitam-na pratos e tecidos coloridos, a lembrar a antiga algibeira usada pelas mulheres, elaborados por uma artesã local. Baseada na abundância de produtos locais, a ementa criada pelo chef Álvaro Costa para o restaurante 5 Sentidos, estreita a ligação às raízes na “Fritada” e “Arroz de bacalhau”, bacalhau e polvo assados na brasa e costeleta e naco de Cachena. “Gostamos de comida tradicional”, justifica a proprietária, Vânia Dantas, sobre o regresso à tradição. No final, o “Arroz-doce”, ainda quente, rapa-se da panela. A garrafeira foca-se sobretudo no Alvarinho, da região e além-fronteiras. “Este era o restaurante que tinha idealizado”, afiança a proprietária. Preço médio (€35)
Avenida Centro de Estágios, 625, Melgaço. Tel. 251 418 286
10 de Julho Restaurante
É um dos novos poisos gastronómicos da cidade e assume a missão de servir comida portuguesa num espaço contemporâneo. Brindado pela luz natural, o 10 de Julho Restaurante convida a deixar-se levar pela experiência de sabores autênticos numa das três salas decoradas com detalhes de portugalidade. A refeição, que deve começar com os “Rissóis de bochecha de porco preto”, pode seguir para o saboroso “Arroz de rabo de boi de cogumelos” ou para o “Pernil de porco a baixa temperatura”, elaborado no forno a lenha. Da brasa saem costeletão e picanha de vaca velha de raças autóctones provenientes da Quinta do Souto, em Guimarães. Adoce com o “Pão de ló húmido com gelado de canela”. O nome do restaurante celebra a data do casamento de José Carvalho e Luísa Martins, proprietários. Preço médio (€21)
Rua do Bom Viver, 26, Guimarães. Tel. 253 114 267
Casa das Pipas Restaurant
Associado ao alojamento The Manor House Celeirós e inserido na paisagem vinhateira que o rodeia, este restaurante, com janelas amplas, apresenta-se de face renovada. A cozinha da Casa das Pipas é dirigida pelo chef Milton Ferreira, que emprega produtos regionais e de época nas suas criações de base tradicional, com toques de outras latitudes inspirados por viagens. “Tamboril, aipo, wakame, açafrão”, “Vitela Maronesa, alho negro, cogumelos, jalapeño” e “Pera bêbeda, massa folhada, baunilha, cardamomo” são exemplos de pratos de autor a saborear na esplanada, com vista para as vinhas que povoam a aldeia histórica, ou no espaço interior, onde a lareira revela os seus encantos nos meses mais frios. A escolha faz-se entre menus de degustação de quatro a oito momentos, sem esquecer a opção vegetariana e a harmonização de vinhos.
Preço médio (€55)
The Manor House Celeirós, EN 323, Celeirós. Tel. 968 120 127
Baraço
Com a pandemia, Luís Martins mudou-se de Lisboa para a aldeia dos avós, Azinhoso, no concelho de Mogadouro. E foi lá, na sua antiga casa, que criou o restaurante Baraço, onde cozinha em potes e com recurso a lenha, “não pela moda do fogo, mas por ser essa a nossa matriz de sabor”. Matérias-primas e receitas tradicionais da região são apresentadas a uma nova luz, tendo sempre na raiz uma história, da família ou do território. Se uns pratos remetem para a infância do chef Luís Martins, outros dizem respeito a costumes locais, numa ementa dinâmica. Exemplos são o “Rissol de perdiz”, o “Bacalhau das merendas” ou as “Repolgas na brasa com molho d’amêndoa”. “É uma cozinha que evoca memórias, mas depois tem um sabor ou outro que faz pensar em algo novo”, remata. Preço médio (€40)
Rua do Bostelo, Azinhoso, Mogadouro. Tel. 279 012 390
COOperativa Restaurante (Penafiel)
COOperativa Restaurante
A origem dos ingredientes é central nesta casa contemporânea e viva, que atribui ao produtor a coautoria dos pratos. A ementa do COOperativa Restaurante traça uma linha até à origem, terra ou mar. “Sem eles nada disto faria sentido”, explicam os mentores desta “cozinha com propósito”. “Mexilhões da Cristina com molho de cerveja e pastrami de Maronesa do André”, “Rolo de couve da nossa horta com legumes da Filipa”, “Filetes de polvo da Cristina com batata da Dona Helena e orelha” ou “Canja de galinha da Vitória e do Edgar com ravioli de Shitake” materializam esta filosofia. “Fique nas mãos da cozinha”, se desejar. Depois da “Sopa fria de araçás com panacota erva-príncipe da nossa horta”, levam-se para casa compotas, pickles, fermentados, ice teas e kombuchas elaborados na casa. Preço médio (€19)
Avenida Zeferino de Oliveira, 1, Penafiel. Tel. 926 071 194
Largo do Paço (Amarante)
Largo do Paço
Trazer diversão e desafio à mesa do Largo do Paço é a abordagem de Francisco Quintas, que passa por “quebrar barreiras, oferecer uma experiência leve que desinibe”. Cozinha e sala unem-se em visitas frequentes e o tempo não se sente passar entre os 13 ou 15 momentos dos dois menus de degustação, disponíveis apenas ao jantar. Na reinvenção deste clássico restaurante, agora com nova configuração, apresenta-se uma viagem pelo país através dos ingredientes da estação, desafiando os comensais a adivinhar aromas e sabores, num jogo de refrescante irreverência, para que o “cliente se divirta”. “Lírio”, “Enguia fumada”, “Tamboril”, “Pregado”, “Pombo” ou “Molejas e carabineiro” ocupam o palco, antes de “Morango” e “Gengibre” encerrarem. A carta de vinhos percorre mais de 700 referências. Preço médio (€150)
Casa da Calçada, Largo do Paço, 6, Amarante. Tel. 255 410 830
Feitio (Leça da Palmeira)
Feitio
Comida tradicional portuguesa bem feita e direta é o princípio deste restaurante do chef David Jesus, que assume as raízes setubalenses sem as limitar. No restaurante Feitio há “Queijo de Azeitão”, “Rissol de pato”, “Feijoada de choco”, peixes na brasa, “Carne de porco à alentejana” e “Secretos de porco preto na brasa com migas alentejanas”. Nos doces, a memória mantém-se nas “Farófias” e no “Bolo de bolacha”. A ementa muda com frequência, seguindo o melhor produto disponível, e a carta de vinhos percorre várias regiões portuguesas, com referências a copo. Preço médio (€25)
Rua Francisco Sá Carneiro, 59, Leça da Palmeira. Tel. 934 213 652
Barôco
Duas salas amplas, um bar e uma cozinha aberta dão vida ao restaurante do grupo Flow, instalado num antigo armazém de vinhos na Boavista. O restaurante Barôco funciona apenas ao jantar e destaca-se pela decoração extravagante, com mármore, veludo e palhinha, quadros, espelhos e grandes candeeiros. A ementa inspira-se na cozinha mediterrânica, com propostas como “Ovos rotos com pato confitado, presunto de pato e tamarindo”, “Pregado com pilpil de guindillas”, “Gnocchi de abóbora-manteiga assada, Ricota e alho negro” e o original “Fondant de tomate com Ricota, limoncello e manjericão”. Harmoniza-se com vinhos portugueses e internacionais ou com cocktails preparados no bar. Preço médio (€45)
Rua Particular Meneses Russel, Armazém 30, Porto. Tel. 226 003 000
Boteco Bombarda
Paula Peliteiro encerrou o restaurante que tinha em Esposende e abriu esta nova casa com o filho João. O nome, Boteco Bombarda, evoca o Brasil, onde iniciou o percurso na restauração, mas a ementa gira em torno da cozinha tradicional portuguesa. “Pernil no forno do jeito da Sr.ª Peliteiro”, “Vitela a desfazer-se” e “Polvo panado do avô Amadeu” chegam à mesa em travessas generosas. Nas sobremesas destacam-se “O melhor bolo de bolacha do mundo”, com doce de ovos, e a “Rabanada, Natal é todos os dias”, com gelado de vinho do Porto. À tarde há petiscos como “Mexilhões frescos em molho escabeche”, “Bolinhos Bombarda” e “Caldo verde minhoto”. Preço médio (€30)
Rua de Miguel Bombarda, 552, Porto. Tel. 938 986 041
The Dining Room – Matriarca (Porto)
The Dining Room – Matriarca
Polivalente, o edifício tradicional inspira elogios ao vinho, à comida e à arte de bem receber. Cada piso conta uma história, com Beatriz Atkinson como figura central. No Dining Room, apenas ao jantar, a experiência assume-se como uma sala de jantar de casa, com serviço próximo e descontraído. Os menus de três ou quatro momentos e as propostas à carta, de base sazonal, são pensados para casar com os vinhos de produção própria. A cozinha do chef Pedro Lencastre Monteiro revela-se na sopa e no “Pastel de massa tenra de lebre”, na “Lula recheada na grelha”, no “Peixe do dia, arroz de limão e ostras”, no “Arroz de cabidela” ou no “Bife Wellington”. “Tiramisu” e “Tarte Tatin” encerram a refeição. Preço médio (€55)
Praça de Carlos Alberto, 98, Porto. Tel. 910 886 628