Um juiz federal criticou duramente, esta segunda-feira, o tratamento que o atirador do Jantar de Correspondentes da Casa Branca tem recebido na prisão, chegando mesmo a pedir-lhe desculpa pelas condições em que tem estado.

Desde o dia 25 de abril, quando Cole Allen abriu fogo num hotel em Washington, que o homem está encarcerado, após ser acusado de tentar assassinar o presidente dos Estados Unidos. Contudo, segundo os advogados do mesmo, Allen tem sido mantido em condições punitivas e demasiado restritivas.

Pouco depois de ter chegado à prisão em Washington D.C., onde aguarda julgamento, Allen foi colocado sob vigilância para prevenção de suicídio. Isto significa que foi colocado numa cela acolchoada, onde as luzes estiveram permanentemente acesas e sem acesso a um telemóvel ou a um tablet (para consultar o seu processo jurídico). Um dia depois, o nível de vigilância foi reduzido, mas o seu acesso a um telemóvel e a possibilidade de sair da sua cela continuaram fortemente limitados.

Já na sexta-feira, os advogados de Allen dizem que o acusado foi submetido a uma reavaliação psiquiátrica, onde foi determinado que não representava um risco de suicídio. Mesmo assim, foi mantido sob custódia protetora e separado dos outros reclusos. Na prática, esteve quase em isolamento total.

Durante a última semana, terá ainda sido negado o acesso de Allen a uma Bíblia, continuou sem ter um tablet e também não terá conseguido reunir-se em privado com os seus advogados.

Na segunda-feira, 4 de maio, o juiz federal Zia Faruqui questionou um representante do Departamento de Serviços Prisionais de Washington, D.C., sobre as alegações dos advogados de Allen.

A certa altura, Faruqui confessou ao acusado que estava “muito preocupado” com as “condições a que tem sido sujeito”, chegando mesmo a pedir-lhe desculpa pelos problemas durante a sua primeira semana de detenção, segundo a CBS.

Questionado sobre os incidentes, Tony Towns, conselheiro geral interino do Departamento de Correções de Washington D.C., garantiu que todos os problemas abordados serão resolvidos nos próximos dias.

Em defesa da conduta da prisão onde Allen está detido, Towns justificou que um psiquiatra tinha considerado que Allen representava um risco de suicídio. Contudo, o formulário médico dessa avaliação não consta do processo. Faruqui informou desde logo que queria ver esse formulário.

Quanto ao isolamento do atirador, Tows afirmou que existe uma ordem nesse sentido, para assegurar a segurança de Allen.

“Não sabemos realmente como mantê-lo em segurança, Meritíssimo, para além do isolamento”, argumentou Towns.

Faruqui respondeu apenas: “Isso parece ser um problema”.

O juiz continuou, afirmando que estava “fascinado e preocupado” com a forma como o tratamento para com Allen tem sido tão diferente de, por exemplo, os condenados (e, desde então perdoados) do 6 de janeiro, que invadiram e vandalizaram o Capitólio, após Donald Trump perder as eleições contra Joe Biden.

Admitindo que as acusações contra Allen “não poderiam ser mais graves”, Faruqi disse não perceber como “chegámos onde chegámos”.

Após a audiência, a procuradora federal de Washington, D.C., Jeanine Pirro, criticou Faruqui, numa publicação no X. 

“Bem-vindo a Washington, DC, onde o juiz federal Faruqui acredita que um arguido armado até os dentes e a tentar assassinar o presidente tem direito a um tratamento preferencial no seu confinamento em comparação com todos os outros arguidos”, afirmou.

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