Carlos Barroso / LUSA

O árbitro André Narciso tenta sair do relvado depois do Casa Pia-Tondela
Um golo, seis expulsões, todas na equipa da casa: duas a jogadores durante o encontro, quatro a treinadores e dirigentes depois da partida.
O Casa Pia-Tondela terá sido o jogo desta edição da I Liga que terminou com mais desacatos, com mais tensão no relvado já depois do apito final.
O duelo já se adivinhava “quente” porque estava em causa a permanência na principal divisão do futebol português: Casa Pia no 16.º e antepenúltimo lugar, Tondela no 17.º e penúltimo lugar. Eram 4 pontos a separar os rivais, com vantagem para o Casa Pia.
Eram 4 pontos. Passou a ser apenas 1, já que o Tondela venceu por 1-0. Bebeto marcou de grande penalidade, a meio da segunda parte.
Durante o jogo, apenas um golo. Mas duas expulsões. E mais quatro depois do jogo. Todas para o Casa Pia.
Os jogadores expulsos foram Cassiano (acertou num adversário com o cotovelo) e Jérémy Livolant (braço na cara, segundo amarelo mesmo a fechar o jogo).
Diversos elementos do Casa Pia terminaram a partida em ambiente de revolta. Queixaram-se das duas expulsões; da grande penalidade, alegando que o empurrão de André Geraldes a Tiago Manso não foi suficiente para falta; de uma alegada grande penalidade quando Dailon Livramento caiu; e queriam nova grande penalidade nos últimos segundos, por alegada mão na bola.
Quando o jogo acabou, foi difícil a equipa de arbitragem sair do relvado. Foi cercada por jogadores e responsáveis do Casa Pia, e o treinador-adjunto Pedro Valdemar até tentou impedir André Narciso de deixar o relvado, colocando-se à frente do árbitro – foi aí que a GNR interveio, protegendo a equipa de arbitragem até ao túnel.
Resultado para o Casa Pia: cartão vermelho para o treinador Álvaro Pacheco, o adjunto Pedro Valdemar, o CEO da SAD Tiago Lopes e a directora de comunicação Catalina Ramírez.
“O que se passou aqui hoje é uma vergonha para o futebol português”, comentou André Geraldes, jogador do Casa Pia, que falava sobre os árbitros.
A Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto instaurou um processo contraordenacional por causa destes desacatos.
O processo visa apurar o cumprimento de deveres e eventuais responsabilidades do promotor do espectáculo desportivo.
Nuno Teixeira da Silva, ZAP //