O primeiro-ministro, Luís Montenegro, alinhou nesta terça-feira com o chanceler alemão, Friedrich Merz, na pressão diplomática sobre o Irão, classificando como “absolutamente inaceitável” a possibilidade de Teerão obter “potencial nuclear em termos militares” e alertando para os efeitos da instabilidade no Médio Oriente no comércio internacional. Ao lado do líder da maior economia europeia, o chefe do Governo português defendeu uma solução diplomática para a crise, mas centrou a crítica no regime iraniano.
Em declarações transmitidas pela RTP Notícias, depois de ter sido recebido na Chancelaria alemã com guarda de honra, Montenegro acompanhou a posição de Merz, que antes defendera o fim do programa nuclear do Irão e admitira o aumento de sanções caso se mantenham os constrangimentos ao estreito de Ormuz, que “afectam as economias alemã e portuguesa”.
“Defendi o aumento das sanções a Teerão caso continue o bloqueio (…). O Irão tem de se sentar à mesa e negociar”, afirmou Merz, citado pela Lusa. Mais tarde, Montenegro afirmou: “Aquilo que o Irão está a fazer é inaceitável do ponto de vista da obtenção de potencial nuclear em termos militares e é absolutamente inaceitável [pelas] consequências para o comércio internacional.”
Montenegro referiu-se ainda às “dificuldades de navegabilidade” no estreito de Ormuz e aos “ataques que não obedecem a critério que se compreenda”, antes de insistir na via diplomática e negocial. “Os conflitos não se resolvem na base do avolumar de divisão ou factores de divisão. Resolvem-se quando há capacidade de diálogo entre as partes envolvidas”, afirmou, defendendo que é preciso “convencer aqueles que estão errados do erro que estão a cometer”.
Reformas são “imagem de marca”
A deslocação à Alemanha serviu também para Montenegro apresentar Portugal como uma economia em ascensão e um parceiro fiável no quadro europeu e atlântico. Ao lado do chanceler Friedrich Merz, o primeiro-ministro quis colocar Portugal junto da maior economia europeia. “Estamos na presença da maior economia europeia, por um lado, e daquela que foi considerada por algumas publicações de referência a economia do ano de 2025, por outro”, afirmou.
O primeiro-ministro apontou Portugal como um parceiro competitivo, tecnológico, e fiável na área da defesa, destacando que “a variação homóloga” das exportações tecnológicas portuguesas para a Alemanha “foi de 150%” em 2025.
Em paralelo, Montenegro defendeu que a parceria entre os dois países se estende também à agenda de reformas internas, acabando por falar para dentro do país. “É por isso uma parceria que nós queremos agora desenvolver para futuro, com mais investimento produtivo, com uma agenda que é partilhada também de reformas no perímetro da administração pública, em particular no que diz respeito à simplificação ao combate à burocracia. É, por assim dizer, uma imagem de marca do Governo alemão e também uma imagem de marca do Governo português”, afirmou, acrescentando que os dois países levam essa agenda “muitas vezes” às reuniões do Conselho Europeu.
Quanto à defesa, Montenegro reforçou a posição de Portugal no que diz respeito ao apoio à Ucrânia, e destacou “a importância da Aliança Atlântica e do reforço do pilar europeu da NATO”. Sustentou esse argumento dizendo que, “no ano passado, Portugal antecipou em quatro anos a meta dos 2% de despesa da área da defesa”, e que o fez “em escassos seis, sete meses”. Antes, Merz tinha reiterado a importância de atingir os 5% do produto interno bruto (PIB) no investimento em defesa.