No dia da tempestade Kristin, no final de janeiro, o comandante dos bombeiros de Tomar só chegou ao quartel por volta das 8h30 como se de um dia normal se tratasse.
Nos dias seguintes, Humberto Morgado não foi visto no terreno e chegou a ausentar-se para um evento de cariz desportivo.
Segundo apurámos, esta terá sido a gota de água que provocou o afastamento do comandante dos bombeiros por decisão do presidente da câmara.
A Humberto Morgado são apontadas “fragilidades” na fase crítica pós-tempestade Kristin como por exemplo falhas na coordenação, na organização e na capacidade de resposta, incluindo ausência de liderança no terreno em momentos críticos.
A nível interno da corporação, registaram-se problemas de liderança e gestão, que geraram conflitos e instabilidade na estrutura de comando de que é exemplo a discriminação de que foi alvo o adjunto Vitor Bastos.
Como problemas estruturais no funcionamento dos bombeiros e da proteção civil, apontam-se falhas na gestão, liderança e capacidade operacional que, segundo uma fonte da autarquia, comprometeram a eficiência, o uso de recursos públicos e a resposta a emergências.
Entre os principais problemas identificados estão: a dependência excessiva de horas extraordinárias sem planeamento; falhas operacionais básicas (como ambulâncias inoperacionais por falta de oxigénio e comunicação incorreta); investimentos mal controlados; dificuldades na resposta a situações críticas, com falta de coordenação e liderança; conflitos internos e instabilidade na estrutura de comando; e práticas operacionais inadequadas que afetaram a prontidão do serviço.
Segundo a mesma fonte, não se trata de falhas isoladas, mas de um modelo de funcionamento deficiente, sem rigor nem planeamento, que levou à perda de confiança institucional e à necessidade de mudança na liderança, já que o aumento da despesa não resultou em melhor resposta operacional.
Humberto Morgado foi comandante dos bombeiros de Tomar e Coordenador Municipal de Proteção Civil entre janeiro de 2021 e abril de 2026. Natural de Abrantes, assumiu o cargo com o objetivo de profissionalizar a corporação.
Em março de 2026, a câmara decidiu não reconduzir Humberto Morgado no cargo de comandante, com o argumento de uma reestruturação que separa os serviços de Proteção Civil do comando dos Bombeiros.
Durante este mês a câmara vai nomear um novo comandante dos bombeiros e um novo coordenador da Proteção Civil, cargos que Humberto Morgado acumulava.
Com a saída de Tomar, foi convidado para comandar os bombeiros sapadores de Leiria.
Ao comandante cessante, que sempre obstaculizou a relação com a comunicação social, enviámos um conjunto de questões sobre o seu trabalho e o seu afastamento. Aguardamos resposta.