Retenção urinária aguda neurogênica e hemorragia subaracnóidea medular, um desafio diagnóstico: relato de caso com 10 anos de seguimento

Maysa Cunha Nogueira Bastos ; Tiago Menezes Brasil ; Wesley Queiroz Muniz

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Como Citar:
BASTOS, Maysa Cunha Nogueira; BRASIL, Tiago Menezes; MUNIZ, Wesley Queiroz. Retenção urinária aguda neurogênica e hemorragia subaracnóidea medular, um desafio diagnóstico: relato de caso com 10 anos de seguimento. Revista Sociedade Científica, vol. 9, n. 1, p. 1095-1106, 2026.
https://doi.org/10.61411/rsc2026135619
DOI: 10.61411/rsc2026135619
Área do conhecimento: Ciências da Saúde
Sub-área: Medicina
Palavras-chave: Retenção Urinária; Hemorragia Subaracnóidea; Bexiga Urinária Neurogênica; Compressão da Medula Espinal; Diagnóstico Diferencial.
Publicado: 4 de maio de 2026.

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Resumo

A ocorrência simultânea de retenção urinária aguda (RUA) de origem neurogênica e hemorragia subaracnóidea espinhal/medular (HSAE) é excepcionalmente rara, sendo ambas condições de difícil diagnóstico devido à apresentação inespecífica e ao potencial de mimetizar lesões intradurais na ressonância magnética (RM). Relata-se caso de RUA neurogênica associada a HSAE com imagem sugestiva de tumor e evolução favorável. Paciente masculino, 63 anos, hipertenso, previamente sem sintomas urinários, iniciou dor lombar súbita e dificuldade transitória para deambular, evoluindo em poucas horas para RUA com ausência de sensação de enchimento e perdas por transbordamento. Ao exame, sinais de irritação meníngea. Tomografia de crânio sem alterações. Punção lombar evidenciou líquor sanguinolento em todos os frascos, sustentando sangramento subaracnóideo. RM do neuroeixo mostrou lesão oval intradural-extramedular em T11–T12 à direita (1,2 × 0,8 × 0,7 cm), com realce homogêneo pós-contraste e compressão medular, inicialmente interpretada como meningioma/neurofibroma. Foi instituída corticoterapia (dexametasona) e cateterismo intermitente, com conduta conservadora. Houve recuperação da micção após cinco meses e, em RM de controle aos seis meses, observou-se resolução completa da lesão (“vanishing tumor”). O paciente permanece assintomático e sem recidiva há 10 anos.

Artigo
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Sumário
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