Existe um Japão paralelo aos roteiros divulgados que os japoneses frequentam e que os turistas raramente encontram. Não é um segredo guardado, é um conjunto de lugares que exigem um desvio que a lógica da viagem otimizada raramente prevê. Kanazawa, Takayama, Naoshima ou Hakone: estas são as versões do país que os japoneses mostram quando questionados por recomendações genuínas.

Kanazawa fica na costa do mar do Japão, a pouco mais de duas horas de Tóquio pelo shinkansen Hokuriku. A cidade resistiu à destruição da Segunda Guerra Mundial e preservou bairros de geishas intactos, como o Higashi Chaya e o Nishi Chaya. Em Kanazawa, às seis da manhã, é possível caminhar pelas ruas de madeira em silêncio. O jardim Kenroku-en, considerado um dos três mais belos do país, tem uma composição que muda com a neve de inverno, a cerejeira da primavera, o verde do verão e o vermelho do outono.

Kanazawa, Japão

Kanazawa, Japão
Créditos: Marek Piwnicki | Unsplash

Takayama, nas montanhas da região de Hida, preserva um centro histórico de casas mercantis do período Edo que a Agência de Assuntos Culturais classificou como área de preservação histórica. O mercado matinal da rua Jinya-mae funciona desde o século XVII. As destilarias de sake da rua Sanmachi sugi oferecem provas que custam menos do que um café em Tóquio. O doburoku, uma versão turva e não filtrada de sake, está fora de produção legal na maior parte do país, mas Takayama obteve autorização especial para o manter.

Takayama, Japão

Takayama, Japão
Créditos: Vladimir Haltakov | Unsplash

Naoshima é uma ilha no mar interior de Seto. O empresário Soichiro Fukutake transformou um território de pesca num museu a céu aberto através da encomenda a arquitetos como Tadao Ando e artistas como Yayoi Kusama. A experiência de percorrer a ilha de bicicleta entre museus é uma das versões mais coerentes de turismo cultural que o Japão criou.

Naoshima é uma ilha no mar interior de Seto

Naoshima é uma ilha no mar interior de Seto
Créditos: Rebecca Lam | Unsplash

O sistema ferroviário regional tem linhas que os roteiros turísticos raramente incluem. O caminho entre Quioto e Kinosaki Onsen atravessa paisagens de montanha e costa que mudam com as estações. As estâncias termais de Kinosaki Onsen, onde o ritual é alugar um yukata e circular entre os sete banhos públicos da vila, representam uma das formas mais específicas de lazer japonês.

O Japão que ninguém mostra não é difícil de encontrar. É difícil de priorizar quando o roteiro já inclui as grandes metrópoles e o tempo é limitado. A solução não é escolher entre os dois mundos. É ir mais vezes.