As Canárias rejeitam que o navio MV Hondius, suspeito de ser um foco de hantavírus, faça “escala” no arquipélago. O presidente das Canárias, Fernando Clavijo, pediu uma “reunião urgente” com o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, por considerar que a decisão de levar o navio às Canárias foi tomada sem obedecer “a qualquer critério técnico”.

A África do Sul identificou a estirpe dos Andes em duas pessoas que desembarcaram do cruzeiro afectado. É a estirpe mais perigosa do vírus, a única das 24 detectadas em humanos que pode ser transmitida de pessoa para pessoa. O navio, com 149 pessoas de 23 nacionalidades partiu de Ushuaia, na Argentina, a 20 de Março, com direcção às ilhas Canárias. “Os testes iniciais mostram que se trata, de facto, da estirpe andina. Esta é a única estirpe, entre as 38 estirpes conhecidas, que pode ser transmitida de uma pessoa para outra”, explicou o ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi, numa comissão parlamentar.

Até 4 de Maio de 2026, segundo a Organização Mundial da Saúde, foram identificados sete casos (dois casos de hantavírus confirmados por laboratório e cinco casos suspeitos), incluindo três mortes, um doente em estado crítico e três indivíduos com sintomas ligeiros. “O início da doença ocorreu entre 6 e 28 de Abril de 2026 e caracterizou-se por febre, sintomas gastrointestinais, progressão rápida para pneumonia, síndrome de dificuldade respiratória aguda e choque. As investigações continuam em curso”, escreve a OMS.


Fernando Clavijo diz que não pode deixar que o navio pare nas Canárias, por considerar não ser possível passar uma mensagem de segurança à população. O Governo espanhol definiu que o navio MV Hondius deveria atracar em Tenerife, a maior das ilhas canárias, para que a situação sanitária fosse tratada sob um protocolo rígido traçado pela OMS.

As autoridades de saúde estão ainda a levar a cabo uma procura internacional por cera de 80 passageiros que partilharam voo com uma mulher infectada com hantavírus. A neerlandesa, de 69 anos, cujo marido, de 70 anos, morreu a bordo de um navio com casos deste vírus, aterrou em Santa Helena em 24 de Abril “com sintomas gastrointestinais” e embarcou num voo no dia seguinte para Joanesburgo, na África do Sul, segundo divulgou nesta terça-feira a OMS.

O ministério da Saúde da África do Sul afirmou que o rastreio de contactos estava em curso, tendo sido identificados 62 contactos, incluindo tripulação de voo e profissionais de saúde. Os contactos serão monitorizados até que termine o período de incubação e, até agora, nenhum foi diagnosticado com hantavírus.

Cabo Verde deveria ser o destino final do navio, mas o país da África Ocidental não permitiu que a embarcação desembarcasse passageiros devido ao surto.

Os hantavírus são um conjunto alargado de vírus predominantes em roedores, mas que podem infectar humanos. Quando chegam aos humanos, as principais consequências podem ser falhas nos pulmões ou nos rins, conduzindo a cenários de morte se não houver tratamento adequado. Com Reuters